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Obama e Jiabao se reúnem para aparar arestas

por AFP — publicado 19/11/2011 11h34, última modificação 19/11/2011 11h34
Divergências sobre valor do yuan e influência americana na Ásia colocam potências em lados opostos
obama e wen

Encontro entre Jiabao e Obama não estava programado. Foto: AFP

O presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, tiveram uma reunião bilateral delicada neste sábado, na Indonésia, devido à rivalidade crescente entre os dois países. O encontro aconteceu durante Reunião de Cúpúla da Ásia Oriental (EAS).

Pouco depois da reunião, Obama deixou a Indonésia e encerrou uma viagem de nove dias à região.

O encontro, em um hotel de luxo de Nusa Dua, estação balneária da ilha de Bali  - sede da reunião da EAS e da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) - durou quase uma hora. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estava presente.

As conversas foram essencialmente sobre a economia. Obama citou a questão do yuan, que Washington considera desvalorizado, e outras divergências comerciais, segundo Tom Donilon, conselheiro americano de Segurança Nacional.

Washington e Pequim debatem o crescente envolvimento diplomático, econômico e militar dos Estados Unidos na Ásia-Pacífico, que segundo os americanos é apenas uma resposta ao que consideram uma expansão hegemônica da China na região.

"A China nunca buscará a hegemonia", afirmou na sexta-feira Wen Jiabao.

"E se opõe a qualquer comportamento hegemônico", completou.

Obama destacou durante a semana a intenção de transformar a EAS no "espaço privilegiado no qual possamos trabalhar juntos sobre um amplo leque de temas, como a segurança marítima e a não proliferação nuclear".

As declarações ilustram a competição protagonizada pelos dois países pela liderança na região Ásia-Pacífico, que ganha espaço com o grande dinamismo no momento em que as economias tradicionais atravessam uma grave crise.

A China investe grandes quantias na região, sobretudo na Austrália, grande aliada de Washington, para explorar recursos de mineração.

Depois de anunciar um projeto de livre comércio na Ásia-Pacífico, ao qual a China não está associada no momento, Obama anunciou esta semana o envio de 2.500 soldados ao noroeste da Austrália, o que irritou Pequim.

Nos últimos dias, as discussões se concentraram nas disputas territoriais entre Pequim e os vizinhos no Mar da China meridional, onde a concorrência é muito grande para garantir reservas de petróleo e gás.

Contra a gigante China, o governo das Filipinas propôs aos demais países pequenos envolvidos (Vietnã, Taiwan, Malásia) uma frente unida com o respaldo de Washington, que defende uma abordagem multilateral do caso.

Wen Jiabao denunciou uma "interferência" e destacou que a China não aceitaria a imposição de uma agenda nas reuniões de Bali.

 

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