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Internacional

Crise na Venezuela

Obama condena violência na Venezuela e pede libertação dos detidos

por Redação — publicado 20/02/2014 13h49
Presidente americano caracterizou como "legítimas" as reivindicações dos manifestantes e criticou expulsão de diplomatas dos EUA pelo governo de Maduro
Yuri Cortez/AFP
O presidente dos EUA, Barack Obama, durante coletiva de imprensa em Toluca, México

O presidente dos EUA, Barack Obama, durante coletiva de imprensa em Toluca, México

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, caracterizou nesta quinta-feira 20 como "inaceitável" a violência das manifestações na Venezuela e pediu ao governo de Nicolás Maduro que liberte os detidos nos confrontos.

A declaração foi dada em entrevista coletiva ao final de uma cúpula de líderes do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) na cidade de Toluca, no centro do México.

Obama afirmou que os EUA "condenam energicamente" a situação da Venezuela e considerou "legítimas" as reivindicações dos manifestantes. Ele também criticou o anúncio da expulsão de três funcionários americanos por parte do governo venezuelano.

"Junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), apelamos ao governo da Venezuela pra que liberte os manifestantes detidos e inicie um diálogo verdadeiro", disse. "Na Venezuela, em vez de tentar desviar a atenção de suas próprias carências, expulsando com falsas acusações diplomatas americanos, o governo deveria se concentrar em atender às reivindicações legítimas do povo venezuelano."

No domingo, o presidente Nicolás Maduro anunciou a expulsão de três funcionários consulares americanos, acusando-os de ingerência nos assuntos domésticos. Washington disse que estuda "ações" contra a Venezuela.

Além dos EUA, Maduro também acusou o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, de ser um dos promotores das passeatas da oposição, classificadas por Caracas como "golpe de Estado em desenvolvimento".

Violência. A modelo baleada durante um protesto na terça-feira 18 não resistiu ao ferimento e morreu um dia depois em Valencia, aumentando para cinco o número de mortos nas manifestações das duas últimas semanas.

Génesis Carmona, 21 anos, era miss Turismo do estado de Carabobo. Ela tinha sido internada em uma clínica particular com um ferimento na cabeça causado por um tiro e chegou a ser submetida a uma cirurgia de emergência.

Na terça, um ato de estudantes opositores em Valencia terminou em distúrbios, que, segundo a imprensa local, deixaram pelo menos oito feridos a tiros, entre eles Carmona, depois de um ataque praticado por um grupo de homens armados.

A notícia foi divulgada no momento em que dezenas de opositores e universitários estavam reunidos diante do tribunal de Caracas, onde o líder oposicionista Leopoldo López deveria ser apresentado à Justiça. López é um dos líderes da ala radical da coalizão antichavista Mesa da Unidade Democrática (MUD).

A audiência de López acabou às 1h45 locais (3h15 de Brasília) ante uma juíz na casa militar de Ramo Verde, informou o advogado de defesa, Bernardo Púlido. "Ratificaram a privação da liberdade e apresentaram acusações por danos e incêndios, associação para delinquir e estímulo da violência", disse Púlido, que negou acusações por homicídio como havia sido anunciado inicialmente.

A audiência deveria ter acontecido no Palácio de Justiça, onde os manifestantes e estudantes estavam reunidos para apoiar López. A MUD convocou para sábado 22 uma passeata em Caracas em apoio a López, que foi levado para Ramo Verde na terça-feira à noite.

Com informações da AFP