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Obama com os dias contados

por Gianni Carta publicado 07/09/2011 13h58, última modificação 09/09/2011 10h46
Sem estratégia e às vésperas de seu discurso no Congresso, o presidente “tem de fazer discurso sólido com planos, objetivos e prazos específicos”, diz editorialista

Barack Obama vai mal. Às vésperas do seu discurso no Congresso na quinta-feira 8, quando apresentará um pacote de 300 bilhões de dólares para estimular a economia e a criação de empregos, seu nível de popularidade nunca esteve tão baixo. Os motivos são transparentes. A economia americana está em queda livre. No quesito política exterior, Obama deixa muito a desejar, principalmente nas suas relações com Israel e a Palestina.

Sobre o discurso no Congresso, um editorialista do semanário americano The Nation recomendou: “Ele (Obama) tem de fazer um discurso sólido com planos específicos, objetivos específicos e prazos específicos”.

Há quem chame o presidente americano de pragmático. Outros acham que ele vacila nos momentos-chave, é homem sem espinha dorsal. O fato, por exemplo, de ele ter cedido aos republicanos – e adiado seu discurso no Congresso – é sinal de fraqueza. O líder de um país potencialmente à beira de uma severa recessão não negocia com oponentes quando falará à nação. David Letterman, o apresentador de tevê, brincou no seu popular show: “Na festa do Trabalho (dia 7 nos EUA), Obama fará aquilo que os republicanos mandarem”.

Segundo três pesquisas de opinião pública, mais da metade da população desaprova como Obama tem lidado com a crise econômica. Em uma delas, realizada pelo The Wall Street Journal/Nbc, 51% dos interrogados o desaprovam abertamente. Pior: 78% acha que o país caminha na direção errada. E caminha mesmo.

Obama, é preciso exprimir, não é mágico. Ele herdou de George W. Bush uma econômica em frangalhos, e duas guerras, ambas desnecessárias. E sejamos claros: Obama, infelizmente “o homem certo na hora errada”, como escreveu o articulista desta CartaCapital, Antonio Luiz M.C.Costa, é preferível a qualquer republicano na corrida presidencial, em 2012.

Mas obstáculos para Obama não faltam. De saída, ele tem de lidar com a maioria de republicanos na Câmara dos Representantes (deputados). Graças a esses parlamentares, programas como o aumento da tributação sobre os mais endinheirados jamais serão aprovados.

No entanto, três anos após sua chegada ao cargo, a politica econômica de Obama permanece no mínimo nebulosa. Na verdade, Obama parece ser um homem sem uma estratégia. Quando estourou a crise do subprime em 2008, ele foi brando com os bancos. O motivo? Mokhtar Ben Barka, cientista político da Universidade de Valenciennes, na França, responde: “Os primeiros 21 bancos americanos financiaram a campanha de Obama”.  E Ben Barka emenda: “É assim que funciona a política: depois você tem de retribuir”.

Obama poderia, como democrata, ter colocado em prática uma reforma financeira. Mas, como diz Ben Barka, optou por uma reforma modesta para não assustar Wall Street. Por tabela, não resolveu problemas estruturais da finança. Uma verdadeira reforma do sistema de saúde também teria contribuído para reduzir a dívida nacional. O que fez Obama? Não mudou o sistema de seguro social privado – o mais caro e menos eficiente do planeta – e, ao mesmo tempo, ofereceu seguro social para os menos favorecidos. Em suma, tratou-se de uma meia reforma do sistema de saúde.

Da mesma forma, uma política claramente Keynesiana, com programas custeados pelo Estado, poderia ter estimulado a economia e relançado o país. Contudo, Obama ficou, mais uma vez, em cima do muro.

Enquanto isso, a economia americana cresceu menos de 1% no primeiro semestre. O nível oficial de desemprego é de 9,1%. A taxa de desemprego real, a incluir os subempregados, é de 16,2%.

Os sindicatos, claro, estão furiosos com a gestão de Obama. Idem os afro-americanos, grupo étnico a padecer do nível mais elevado de desemprego. A administração Obama bateu o recorde em termos de latinos ilegais deportados. Em 2012, a comunidade latina pensará duas vezes antes de votar em Obama.

No quesito politica externa, Obama tem seus méritos. Acabou com a política agressiva e unilateral de Bush. Quando Obama fez seu discurso na Universidade do Cairo, em 2009, prometeu que ajudaria os palestinos a criar um Estado. E nada fez. De fato, ele mais parece um fantoche do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

“Um presidente americano, seja ele democrata ou republicano, é eleito para defender interesses americanos”, resume Ben Barka. “E um dos principais parâmetros da política americana é a importância do Estado de Israel. Ninguém, ninguém, pode antagonizar os israelenses e judeus americanos. E vale recordar que numerosos judeus americanos financiaram a campanha de Obama.”

Mesmo com um bom discurso no Congresso, os dias de Obama na presidência parecem contados.

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