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Obama admite fiascos da estratégia de guerra

por Revista Forum — publicado 02/09/2010 17h02, última modificação 02/09/2010 17h02
O presidente dos EUA ao anunciar o fim do envolvimento das tropas norte-americanas em combates no Iraque, acabou por confessar que a guerra do Afeganistão "não tem fim à vista".

O presidente dos EUA ao anunciar o fim do envolvimento das tropas norte-americanas em combates no Iraque, acabou por confessar que a guerra do Afeganistão "não tem fim à vista".

Sete anos e meio e 4.400 soldados mortos depois, o presidente dos Estados Unidos anunciou o fim do envolvimento de tropas norte-americanas em combate no Iraque sem poder proclamar vitória. Numa intervenção dedicada, em princípio, à situação iraquiana, Barack Obama acabou por confessar que a guerra do Afeganistão "não tem fim à vista", pelo que se prepara para deixar as operações no terreno nas mãos do exercito afegão - o que poderá acontecer dentro de um ano.

Num pronunciamento ao país, transmitido ao vivo do gabinete oval da Casa Branca, Barack Obama não conseguiu proclamar vitória em qualquer dos conflitos iniciados pelos Estados Unidos desde o princípio do século. Anunciou solenemente que "a operação liberdade para o Iraque terminou e o povo iraquiano é agora responsável pela segurança no país". Cerca de 50 mil soldados norte-americanos vão continuar no Iraque com o objetivo de assegurar a formação do exército iraquiano e "combater a Al-Qaeda", formulação vaga que o presidente não pormenorizou.


Numa altura em que 72% dos norte-americanos - segundo as sondagens - contestam as operações militares em que o país continua envolvido, o presidente declarou que vai trocar o esforço militar no Iraque pela dedicação à recuperação da economia no país - apesar de desde o início do mandato já ter anunciado planos e medidas que chegaram a ser considerados "históricos".


No momento em que as tropas norte-americanas terminam oficialmente as operações de combate no Iraque o país mantém a situação de insegurança em que se encontra praticamente desde o início da invasão. Tem um exército novo ainda em fase de formação, as forças de segurança são incipientes perante as tarefas que lhes competem e está há meio ano com um precário governo de gestão, incapaz de formar um executivo resultante das eleições realizadas em março.


No seu discurso, Obama apelou à formação de um governo "inclusivo" mas as diferenças sectárias, religiosas e étnicas, incentivadas pelas gestões norte-americanas do país desde 2003, são determinantes na classe política que se desenvolveu sob a ocupação estrangeira.


Extravasando da questão iraquiana, Barack Obama anunciou que "em Agosto do próximo ano iniciaremos a transição da segurança no Afeganistão para o exército e a política nacionais". No fim de um trimestre em que as tropas da OTAN, em especial as norte-americanas, sofreram o maior número de baixas no país, Obama foi enfático: "Ninguém tenha dúvidas: a transição vai iniciar-se porque esta guerra sem fim à vista não serve os interesses americanos e os dos povos da região". O presidente dos Estados Unidos acrescentou que a redução de tropas no Afeganistão "vai depender das questões no terreno" mas não deixou dúvidas de que as operações de combate vão passar para as mãos de um exército recém-nascido numa situação em que as tropas do maior exército alguma vez formado no mundo sofrem derrotas diárias.

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