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O próximo tango em Paris

por Redação Carta Capital — publicado 09/04/2012 11h32, última modificação 09/04/2012 11h32
O candidato da esquerda se diz inspirado pela América Latina
Mélenchon

Mélenchon. O radical de esquerda deu rosto aos "indignados". Philippe Huguen/AFP

A surpresa em 2002 foi a extrema-direita de Jean-Marie Le Pen, que com 16,9% ultrapassou os socialistas e foi ao segundo turno com Jacques Chirac. Em 2007, foram os liberais de François Bayrou, que quase os alcançaram com 18,6% e ficaram em terceiro. Mas na França de 2012 é a esquerda radical que, com Jean-Luc Mélenchon, 15% nas pesquisas, deixou Marine Le Pen para trás.

É o melhor resultado de um candidato à esquerda dos socialistas desde 1981, quando o comunista Georges Marchais também obteve 15%.

Mélenchon deu um rosto ao movimento dos “indignados”, que em nenhum outro país encontrou uma liderança comparável, e lança propostas como a Europa não ouvia há décadas: renda máxima de 360 mil euros -anuais, desmantelamento da Otan, controle estatal dos bancos, referendo sobre a União Europeia e direito dos trabalhadores a tomar fábricas ameaçadas de fechamento.

Particularmente interessante é a reversão da direção em que se movem as influências políticas. Em entrevista ao jornal argentino Página/12, Mélenchon reafirmou o que já dissera a franceses: seu movimento se inspira na América Latina.

Tomou do Uruguai de Pepe Mujica a ideia de “Frente Ampla”, com a qual reuniu socialistas radicais, ambientalistas, ex-stalinistas e trotskistas, do Equador de Rafael Correa a ideia de “Revolução Cidadã”, e da Argentina de Néstor e Cristina Kirchner o modo de enfrentar o sistema e a mídia e tratá-la a “pão e água”. E, é claro, o “que se vayan todos!”

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