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O pan-arabismo renovado?

por Gianni Carta publicado 04/02/2011 09h29, última modificação 25/10/2011 11h52
Os caminhos abertos por Egito e Tunísia na visão do especialista

Os caminhos abertos por Egito e Tunísia na visão do especialista

A tampa da panela saltou, mas seu conteúdo continua em ebulição.”Palavras de Issa Goraieb, pena ágil do diário libanês L’Orient Le Jour. Goraieb refere-se ao Cairo, a Tunis e outras capitais de países árabes, onde massas demandam a queda de seus déspotas nas ruas. “Espero uma mudança nesses países”, me diz Goraieb. “Mas será que depois teremos outras ditaduras?” E o Líbano, embora aqui o premier-designado Najib Mikati tente formar um governo, entra na mesma equação. Para Goraieb, o sunita Mikati, escolhido pelo Hezbollah, agirá em nome da Síria e do Irã, países que financiam e apóiam politicamente o movimento xiita.

As revoluções a sacudir o mundo árabe anunciam a chegada de um novo pan-arabismo, sugere Ahmad Moussalli. O professor de ciências políticas e estudos islâmicos da Universidade Americana de Beirute acredita, porém, que o cerne do problema ainda continua sendo o conflito entre a Palestina e Israel. Mas, por ora, o premier israelense, Benjamin Netanyahu, comporta-se como um “imperador global”.

CartaCapital: Como o senhor avalia as revoluções e quais desfechos podemos esperar?

Ahmad Moussalli: Entramos numa nova era no mundo árabe. Lembra quando
Condoleezza Rice, então secretária de Estado dos EUA, falou no começo de uma revolução no Oriente Médio, em 2006? Pois é, a revolução começou, mas não do modo desejado pelos americanos. Este é um novo e revolucionário
Oriente Médio, não mais aquela região com países com regimes moderados
e submissos aos Estados Unidos. Fala-se em um pan-arabismo como aquele de Gamal Abdel Nasser, líder da revolução de 1952 e modelo de líder
nacionalista secular. Essas revoluções não são religiosas.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 632, já nas bancas.

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