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O homem comunitário

por The Observer — publicado 29/09/2011 20h55, última modificação 30/09/2011 13h18
Na minúscula Plains, Jimmy Carter dividi-se entre os assuntos da vizinhança e os grandes temas da política mundial

Por Carole Cadwalldr, do The Observer

Onde mora Jimmy Carter? Bem, feche os olhos e imagine o tipo de casa em que um ex-presidente dos Estados Unidos poderia morar. Uma residência adequada ao antigo líder do país mais poderoso da Terra. Imaginou? Certo, agora a apague da sua mente e imagine o tipo de casa onde um contador moderadamente bem-sucedido e sua família poderiam morar. É o que nos Estados Unidos chamam de “casa de fazenda” ou na Inglaterra de “bangalô”. Não tem pórtico. Nem colunas. Nem amplos gramados. Há apenas uma pequena estrutura térrea que Jimmy e sua mulher, Rosalynn, construíram na Woodland Drive, em 1961, quando ele era um plantador de amendoim e ela, a mulher de um plantador de amendoim, bem no centro da cidade onde eles cresceram. Mas Plains, na Geórgia (Sul dos EUA), quase não é uma cidade. Uma rua talvez fosse uma descrição mais precisa. Uma única rua que não leva a lugar nenhum, exatamente.

Na frente da casa há uma frota de Suburbans pretos, veículos enormes com vidros escuros: não muitos contadores teriam uma equipe de agentes do serviço secreto no local, é verdade. Mas é difícil exagerar o quanto ela é modesta. Não é muito exagero dizer que a coisa toda caberia confortavelmente na sala de estar de uma das nove casas de Tony e Cherie Blair.

Se você tem menos de 40 anos, talvez não se lembre de Jimmy Carter. Mas pode se lembrar do presidente Bartlet. Da Ala Oeste. Quando eu converso com Phil Wise, vice-presidente do Centro Carter, a fundação que Carter criou depois de deixar a Presidência, ele lembra-me de que Martin Sheen baseou seu personagem parcialmente em Carter. Wise era vizinho dos Carter na infância, e como estudante na faculdade foi voluntário na campanha para governador, ao lado de Chip, o filho do meio. Ele trabalhou na campanha presidencial “como o mais jovem furão” e terminou na Casa Branca como secretário de compromissos de Carter. (Seu personagem em Ala Oeste? “O afro-americano que fica sentado à porta do gabinete do presidente.”)

Carter realmente era como o presidente Bartlet?, pergunto a Wise enquanto dirigimos do Centro Carter, em Atlanta, para Plains, rodando pelo extenso campo da Geórgia, passando por placas de restaurantes de bagres e igrejas que nos dizem para “sair do Facebook e entrar no God’s book”, o livro de Deus. Ele considera a questão seriamente: “Ambos eram ex-governadores. Ambos podiam ser muito teimosos e ambos tinham certo tom moral”. E conclui: “Havia muito de Carter no personagem”.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 666 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 30

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