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Oriente Médio

O fascismo está à espreita

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 13/10/2011 18h55, última modificação 14/10/2011 11h20
A promoção da intolerância começa e desfigurar a Primavera Árabe

Nove meses após o início da Primavera Árabe, a falta de respostas convincentes às reivindicações, para não falar dos problemas de fundo que as geraram, começa a azedar o caldo. Onde ditadores caíram, na Tunísia, Egito e Líbia, regimes de transição mantêm figuras-chave do antigo regime no poder, adiam eleições, aliam-se a integristas islâmicos ou tudo isso ao mesmo tempo. Onde o conflito continua em aberto, como no Iêmen, no Bahrein e na Síria, as chances de uma saída democrática parece ainda menor. Em Israel, um movimento de “indignados” pressiona por reformas sociais, mas também se vê um recrudescimento do extremismo da direita política e religiosa e atentados a propriedades, mesquitas e túmulos de não judeus. Aonde isso leva?

Embora o Egito tenha marcado as eleições parlamentares para 28 de novembro, o governo militar adiou sine die a entrega do poder executivo e diz que pretende permanecer pelo menos até 2013. E agora moveu contra uma manifestação liderada por cristãos coptas, em 9 de outubro, a repressão mais violenta desde a queda de Hosni Mubarak. Houve pelo menos 550 feridos e 26 mortos, um massacre pior que o atentado contra uma igreja de Alexandria no réveillon de 2011, que hoje se sabe ter sido planejado pelo governo deposto.

Os fundamentalistas da Irmandade Muçulmana e do movimento salafista ganharam espaço, legalizaram seus partidos e esperam controlar o Parlamento e os clérigos muçulmanos são ouvidos pelo governo. Enquanto isso, os coptas, como os liberais laicos e o movimento sindical, protestam contra sua exclusão. A manifestação literalmente esmagada – 17 dos mortos foram triturados por tanques do Exército, que chegaram a subir na calçada para atropelá-los, enquanto outros foram abatidos a tiros – dirigia-se à sede da tevê estatal para protestar contra o incêndio e destruição de uma igreja cristã em Assuã e era majoritariamente de coptas, mas tinha a adesão de muçulmanos laicos e moderados, solidários com sua indignação.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 668 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 14

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