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O estelionato eleitoral de Berlusconi

por Wálter Maierovitch publicado 21/02/2013 14h45, última modificação 21/02/2013 16h03
Ele diz que, se eleito, restituirá o IPTU local com dinheiro de um acordo com o governo da Suíça sobre evasão fiscal

Uma “truffa elettorale” poderá render ao ex-premier um novo processo na Justiça criminal italiana.

Milhares de pessoas idosas, depois da leitura de uma carta imitação de modelo oficial enviada e assinada por Berlusconi, deixaram as suas residências e formaram filas para receber a restituição de imposto, a partir de 2012, incidente sobre a primeira propriedade (primeira casa) e fábrica agrícola.

O imposto conhecido pelo acrônimo IMU (equivalente ao nosso IPTU) foi instituído no governo Berlusconi e entrou em vigor em 2012. No atual governo técnico do primeiro-ministro Mario Monti (assumiu o cargo de primeiro-ministro após o voto de desconfiança no Parlamento e a queda do governo Berlusconi), o IMU foi alargado para englobar também os detentores de uma única propriedade imobiliária.

“Avviso importante. Rimbolso IMU 2012”, vem escrito no envelope. Um envelope a imitar o usado em correspondências oficiais.

Nas cartas enviadas por Berlusconi aos italianos, e expedidas inclusive a pessoas já mortas, promete-se, também, redução de tributos e, no caso da sua eleição a premier (os parlamentares eleitos do partido majoritário elegem, no Parlamento, o primeiro-ministro),  nenhum aumento no imposto sobre valor agregado (IVA).

Conhecido como vendedor de ilusões – basta atentar que quebrou economicamente a Itália –, Berlusconi, como já fez em eleições passadas (foi quatro vezes primeiro-ministro italiano), volta a prometer o impossível de cumprir. Ele diz que, se eleito, restituirá o IMU com dinheiro proveniente de um acordo que fará com o governo da Suíça sobre evasão fiscal consumada por italianos.

Na verdade, Berlusconi quer comprar o voto dos italianos que pagaram o IMU. E da sua parte promete que fará o Estado restituir.

Como avisam os especialistas, trata-se de promessa impossível de cumprimento porque a Itália, em situação econômica difícil, não poderá abrir um “novo buraco” no tesouro. E a receita prometida (um acordo com a Suíça) é algo que não passa da imaginação de Berlusconi.

Pelas pesquisas, o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, vencerá as eleições. Mas, pelo sistema eleitoral italiano, a situação ficará complicada no Senado, pelos adicionais estabelecidos. No Senado, o PD, em razão de votos nas regiões do Veneto e Lombardia, poderá não conquistar maioria. Já se fala, pós eleição, de um acordo de Píer Luigi  Bersani (líder do PD) com o candidato Mario Monti (atual premier) para, no Senado, obter-se uma maioria.

Enquanto isto, o humorista e populista Beppe Grillo, fundador do movimento 5 Estrelas (5 Stelle),  continua  a lotar praças na sua campanha.

Parêntese: A tradição italiana, nesta eleição, foi quebrada. Ela sempre se desenvolveu nas praças, junto ao povo. Com a desculpa de haver sido alertado por setores de inteligência de que poderia ser agredido, Berlusconi trocou a tradicional campanha nas praças pela televisão (ele manobra duas redes televisivas). Os demais partidos, exceção ao de Grillo, também abandonaram as praças, embora o governo italiano tenha desmentido que o serviço de inteligência apurou riscos aos candidatos. Fim do parêntese.

Com praças italianas superlotadas, o discurso de Grillo é de protesto contra a classe dirigente. Não se trata de Movimento (5 Stelle)  que tenha um programa de governo. O Movimento de Grillo se sustenta em protestos e denúncias justas.

Pelas pesquisas, Beppe Grillo poderá sair das urnas (votações: próximos domingo e segunda) como o terceiro maior partido italiano. Outro a atrapalhar o Partido Democrático e a favorecer Berlusconi pela divisão da esquerda é a Itália de Valores, que lançou Antonio Ingroia, um competente procurador antimáfia da Sciília, como candidato a premier.

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