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O dono do jogo

por Rodrigo Martins publicado 01/06/2011 12h47, última modificação 03/06/2011 12h49
Em meio ao maior escândalo de corrupção da história da Fifa, Sepp Blatter reelege-se sem oponentes

Por Rodrigo Martins e Ricardo Carvalho

De nada adiantou o movimento rebelde liderado pela Associação Inglesa de Futebol, na tentativa de adiar as eleições da Fifa, afundada no maior escândalo de corrupção de sua história. Há 13 anos no comando da federação que controla os destinos do futebol mundial, Joseph Blatter foi reeleito sem oposição e deve permanecer no cargo até 2015. Apesar de nenhum dos acusados de receber propina e negociar votos para a escolha dos países-sede da Copa ter sido expulso, o suíço anunciou uma “nova era de transparência e controle da Fifa”. Não antecipou, porém, qualquer alteração na estrutura da federação, tampouco permitiu a criação de órgãos de controle externo. O império permanece intocável.

A única alteração significativa diz respeito à mudança no processo de escolha dos países-sede. A partir de agora, todas as 208 federações afiliadas à Fifa terão direito a voto, e não apenas o Comitê Executivo, composto de 24 integrantes. Não há garantias de que a ampliação do colégio eleitoral vá impedir a venda de votos, cujas denúncias abalaram a credibilidade da entidade e motivaram investigações internacionais sobre a escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022. Talvez ocorra justamente o contrário: mais votos à disposição de meia dúzia de senhores que efetivamente mandam no futebol mundial.

Na eleição da quarta-feira 1º, Blatter, candidato único, recebeu 186 votos de apoio, de um total de 203 federações votantes. Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, enredado na rede de corrupção da Fifa, não esperou a contagem dos votos para abandonar o congresso. Optou pela saída à francesa e fugiu dos repórteres. Não era preciso esperar para saber que seu histórico aliado se manteria no cargo sem dificuldades. Nos meses que antecederam a votação, os cofres das associações nacionais e confederações continentais que definiram a eleição foram engordados por repasses extras da Fifa, por meio do Programa de Assistência Financeira (FAP). No congresso da entidade realizado logo após a Copa da África do Sul, em 2010, Blatter anunciou o bônus graças ao “sucesso financeiro” do Mundial, no qual a Fifa faturou 3,65 bilhões de dólares. Foram repassados 250 mil dólares para cada uma das federações filiadas, além de 2,5 milhões de dólares às confederações. No fim do ano passado, nova rodada de benesses: outros 300 mil dólares para cada associação e mais 2,5 milhões às confederações.

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