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Oriente Médio

O crescente sobe

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 27/10/2011 10h06, última modificação 28/10/2011 10h09
Ocidente e elites árabes querem cooptar o prestígio popular dos partidos islâmicos
Supporters of the Islamist Ennahda movement celebrate outside Ennahda's headquarters in Tunis

Ocidente e elites árabes querem cooptar o prestígio popular dos partidos islâmicos. Foto: Zohra Bensemra/Reuters/Latinstock

A eleição tunisiana de 23 de outubro, com 90% de comparecimento e aprovação de observadores internacionais, saiu melhor que a encomenda para o partido islâmico an-Nahda ou Ennahda (“Renascimento”), originado da Irmandade Muçulmana. Com mais de 40% dos votos (as pesquisas indicavam 25% a 30%), foi de longe o mais votado. Definida a vitória, sua primeira providência foi tranquilizar os investidores laicos, garantindo que não tentará proibir o uso de biquínis nas praias nem impor regras islâmicas aos bancos. A começar pela Tunísia, o Islã e o Capital se dão as mãos.

O secretário-geral Hammadi Jebali – muçulmano devoto e engenheiro especializado em energia solar e eólica – deve liderar o futuro governo e quer uma coalizão com dois partidos laicos para assegurar sua legitimidade, os centristas (em tese, social-democratas) Congresso pela República, com 14% dos assentos, e at-Takattul, ou Ettakatol (“Liberdade”), com 8%. O partido Aridha Chabbia (“Petição Popular”), do bilionário Hechmi Haamdi, ligado ao regime deposto, surpreendeu com 13%. O PDP, partido da oposição consentida por Ben Ali, tido como o mais forte partido laico, com 16% nas pesquisas de setembro, deve conseguir só 5% das cadeiras.

Existem também no país os salafistas, que incendiaram e saquearam a casa do dono de uma tevê que exibiu a animação Persépolis e pregam a lei islâmica sem concessões à maneira da Arábia Saudita, mas o Nahda adere ao pluralismo político e ao liberalismo econômico desde os anos 1980, rejeita a sharia, vê a Turquia, a Malásia e a Indonésia como modelos e incluiu entre seus principais candidatos uma mulher com véu e outra sem.

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