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Internacional

Guerra Civil

Número de mortos na Síria supera 100 mil, diz ONU

por AFP — publicado 25/07/2013 13h32, última modificação 25/07/2013 13h35
Há mais de dois anos em guerra, país cria onda de milhões de deslocados internos e refugiados em países vizinhos
Timothy Clary / AFP
Ban Ki-moon e John Kerry

Ban Ki-moon e John Kerry (E) na ONU

Estados Unidos (AFP) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta quinta-feira 25 que mais de 100 mil pessoas morreram na guerra civil na Síria e pediu que sejam feitos novos esforços para organizar uma conferência de paz.

Ban e o secretario de Estado americano, John Kerry, disseram aos jornalistas, antes das conversações na sede das Nações Unidas, que não pode haver uma solução militar para o conflito que já dura 28 meses.

Enquanto as organizações sírias afirmam que mais de 100 mil pessoas já perderam a vida no conflito, a ONU tem sido mais cautelosa quanto ao número de vítimas. Entretanto, nesta quinta, Ban estimou que "mais de 100 mil pessoas morreram, milhões foram deslocadas ou precisaram se refugiar em países vizinhos".

"Precisamos acabar com este conflito, e as ações militares e violentas devem cessar dos dois lados. É imperativo a realização de uma conferência de paz em Genebra o quanto antes", acrescentou o secretário que espera a organização da conferência em setembro.

Estados Unidos e Rússia continuam com seus esforços para que esta segunda conferência seja de fato realizada em Genebra, após uma primeira realizada no ano passado a fim de chegar a um plano de transição para a Síria.

Mas esta nova reunião, que deveria inicialmente acontecer em junho, parece distante de se concretizar devido as divergências entre grupos opositores sírios somados aos obstáculos diplomáticos impostos pelo governo do presidente Bashar al-Assad.

"As chances de alcançar um resultado significativo com esta conferência de paz são quase nulas, mas os americanos e as Nações Unidas não podem admitir isso", considerou Richard Gowan, do centro internacional de cooperação da Universidade de Nova York.

O novo presidente da Coalizão Nacional Síria, Ahmad Jarba, se encontra em Nova York, onde espera se reunir com Kerry antes da reunião com os enviados do Conselho de Segurança na sexta-feira.

"Não há solução militar na Síria, existe apenas uma solução política", voltou a afirmar Kerry, que se encontrou na quarta-feira com o seu colega russo Serguei Lavrov.

"Queremos levar as duas partes à conferência 'Genebra 2', para aperfeiçoar 'Genebra 1', e faremos todo o possível para organizar o quanto antes", acrescentou o secretário de Estado americano.

Por sua vez, os congressistas americanos estão cada vez mais favoráveis ao projeto do presidente Barack Obama de fornecer assistência militar aos rebeldes que combatem o presidente Assad. Por enquanto, Washington fornece apoio não-letal aos rebeldes e ajuda humanitária. Mas o governo Obama prometeu ajuda militar, após acusar o regime Assad de ter utilizado armas químicas.

No terreno, combates violentos prosseguem em Homs, no centro da Síria, onde o conflito causou mais de 2.000 mortos desde o início do mês do Ramadã em 10 de julho, segundo uma ONG síria.

Sete pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas na explosão de um carro-bomba na periferia de Damasco, segundo a televisão estatal.

"Em Homs, confrontos de extrema violência foram registrados em Khaldiyé, um bairro rebelde onde as forças do regime tentam entrar, e segundo um primeiro balanço, pelo menos oito membros das forças de defesa nacional (milícia pró-regime) morreram, além de um número indeterminado de insurgentes", afirmou à AFP o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane.

O OSDH relatou intensos bombardeios sobre Khaldiyé e sobre o bairro limítrofe de Jurat al-Shayah. Abdel Rahmane declarou que 2.014 pessoas morreram, incluindo um número particularmente elevado (1.323) de combatentes dos dois lados desde o início do Ramadã.

Entre os combatentes mortos estão 816 insurgentes (545 civis que pegaram em armas, 30 desertores e 241 estrangeiros) e 507 membros das forças do regime (439 soldados e 69 membros de milícias pró-regime).

Durante a madrugada, combates em Deir Ezzor (leste) opuseram membros de uma brigada do Exército Sírio Livre (ESL) a combatentes do Conselho Islâmico. Os islamitas venceram e capturaram o chefe e cinco membros da brigada e ocuparam seu quartel-general.

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