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Sucessão real

Novo rei da Arábia Saudita diz que não haverá mudanças na política saudita

por AFP — publicado 23/01/2015 11h03, última modificação 23/01/2015 11h13
O príncipe Salman, 79 anos, sucederá o rei Abdullah morto nesta sexta-feira. Espera-se que os preços do petróleo continuem em queda e que os direitos civis no país sigam limitados
Erin A. Kirk-Cuomo
Novo rei Salman

O novo rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdul-Aziz al-Saud, 79 anos

Riade (AFP) - O rei Abdullah, da Arábia Saudita, morreu nesta sexta-feira 23 e o príncipe Salman Ben Abdel Aziz, 79 anos, irá sucedê-lo no trono do país, o maior exportador de petróleo do mundo. O novo rei da Arábia Saudita tem fama de probidade e é considerado um negociador respeitado na família Real. Após assumir o trono, Salman assegurou que não haverá mudanças na política do reino após a morte de seu predecessor, e clamou pela união entre os muçulmanos divididos pela guerra.

"Seguiremos, com a força de Deus, no caminho reto que este Estado tem seguido desde a sua criação, pelo rei Abdel Aziz Ben Saud, e por seus filhos, depois dele", disse o soberano em uma mensagem transmitida pela televisão. "Deus quis que eu tivesse essa grande responsabilidade [...] Rezo para que ele me apoie", disse Salman.

A 1h desta sexta-feira (20h de quinta-feira no horário de Brasília), um apresentador anunciou na televisão estatal a morte deAbdullah, que reinou oficialmente durante uma década, mas que assumiu as rédeas do reino desde o ataque cerebral sofrido por seu meio-irmão, o rei Fahd, dez anos antes.

Sofrendo com uma pneumonia, Abdullah, de 90 anos, estava internado desde 31 de dezembro em Riad. Durante seu reinado, Abdullah conseguiu conter as ameaças da rede jihadista Al-Qaeda e manter o ultraconservador país petroleiro à margem das convulsões da Primavera Árabe. O falecido rei também foi um cauteloso reformista que cedeu direitos contados às mulheres e reduziu em detalhes mínimos o enorme domínio da polícia religiosa sobre a vida cotidiana de seus súditos.

No âmbito regional, apoiou inicialmente os regimes autocráticos da Tunísia e do Egito perante os levantes populares que acabaram por derrubá-los, mas ofereceu apoio material aos rebeldes da Síria e se esforçou em recompor as abaladas relações com o novo poder egípcio. No entanto, não hesitou em enviar tropas para reprimir um movimento pró-democrático, chefiado por xiitas contra a monarquia sunita do Bahrein, um importante aliado dos sauditas no Golfo Arábico-Pérsico.

O rei Abdullah era, como os quatro soberanos que o precederam, filho do rei Abdel Aziz, fundador da dinastia Al-Saud que dá nome ao país.

O petróleo e o novo rei

Seu meio-irmão Salman, de 79 anos, nomeado príncipe-herdeiro em junho de 2012, será o novo aristocrata a ocupar trono saudita. Agora, Mohammed bin Nayef, 55 anos, sobrinho de Salman, é o novo indicado para suceder o rei na linha sucessória.

Com a saúde de Abdullah fraca, Salman regularmente representava o rei em eventos públicos, além de assumir o cargo de ministro da Defesa desde outubro de 2011.

Com o anúncio da morte de Abdullah, os preços do petróleo cotado em Nova York registraram uma forte alta. Nos últimos anos, a Arábia Saudita liderou a lista dos países que lutaram com firmeza pela manutenção ao nível atual da produção petrolífera dos países da Opep, apesar do risco de acelerar a queda dos preços do petróleo (-50% desde junho) e das receitas do reino. A decisão tem o objetivo de estrangular a recente indústria petrolífera de xisto nos Estados Unidos.

Em Davos, o economista chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) Fatih Birol disse que não espera uma mudança significativa na política petrolífera do país.

Repercussão internacional

As reações à morte deste aliado de Washington e dos ocidentais na luta contra os jihadistas do Estado Islâmico e da Al-Qaeda não demoraram a chegar.

O presidente Barack Obama se referiu a ele como um valioso amigo e como um líder sincero que deu passos valentes buscando o objetivo de conquistar a paz no Oriente Médio. O presidente francês, François Hollande, prestou homenagem a "um estadista cuja ação marcou profundamente a história de seu país" e cuja "visão de uma paz justa e estável no Oriente Médio segue estando mais do que nunca atual".

Além disso, muitos sauditas deram seu último adeus ao monarca na internet, embora alguns, entre eles ativistas da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres, tenham sido mais críticos que os demais.

Entre as milhares de mensagens divulgadas na rede social, muitas citaram um hadith - dito do profeta - segundo o qual morrer em uma sexta-feira (dia de oração do Islã) significa que a vida do falecido terminou bem.

Em um país onde os meios de comunicação oficiais são fortemente controlados, a internet oferece um espaço de liberdade aos sauditas, embora a rede não esteja isenta de vigilância, como demonstra a recente prisão do blogueiro Raef Badaoui, condenado a 1.000 chibatadas e a dez anos de prisão por insultar o Islã.

"Que Deus o perdoe e tenha piedade dele", retuitou o blogueiro em sua conta após a morte do soberano.

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