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Ex-senador da era Mubarak é nomeado premier no Egito

por AFP — publicado 25/02/2014 17h29, última modificação 25/02/2014 17h31
Atual ministro da Habitação, Ibrahim Mahlab deve formar equipe governamental para conduzir o país árabe a uma eleição presidencial, que tem antigo chefe de inteligência como favorito
AFP / HO
egito

O presidente interino, Adly Mansur (D), recebe o novo premier Ibrahim Mahlab no Palácio Presidencial

Ibrahim Mahlab, um cacique do partido de Hosni Mubarak, foi nomeado nesta terça-feira 25 primeiro-ministro do Egito, no dia seguinte à renúncia do governo instaurado pelo Exército após a destituição do islamita Mohamed Mursi.

Atual ministro da Habitação, Mahlab deve agora formar uma nova equipe governamental para conduzir o país árabe a uma eleição presidencial, prevista para a primavera (no hemisfério norte), na qual o novo homem forte do país, o marechal Abdel Fattah al-Sisi, é favorito.

O novo premiê espera apresentar seu gabinete dentro de três ou quatro dias e promete se concentrar na economia e segurança do país, abandonado pelos turistas e com atentados quase diários contras as forças de ordem. Determinado a prosseguir com a política de "luta contra o terrorismo" iniciada pelas autoridades dirigidas pelo Exército, ele considerou que "isso criará as condições para o retorno dos investimentos e do turismo".

Trajetória. Mahlab, um engenheiro de 60 anos, dirigiu a empresa governamental Arab Contractors, uma das companhias de construção mais importantes do país. Foi senador sob a presidência de Hosni Mubarak, derrubado por uma revolta popular em 2011.

Seus opositores o associam ao antigo regime, enquanto muitos militantes e o líder da esquerda Hamdeen Sabbahi, único candidato declarado à presidência até o momento, temem um retorno de personalidade da era Mubarak e do poder autoritário, três anos após a revolução lançada durante a Primavera Árabe.

Seus partidários, no entanto, o elogiam como um homem dinâmico, bem-sucedido em sua área e próximo à população.

Nas ruas, as opiniões se dividem. Mahmud el-Melegy, um advogado, considera, que "mesmo fazendo parte do Partido Nacional Democrata (PND, de Mubarak), ele conquistou muitas coisas, principalmente no ministério da Habitação".

Para Hassan Yahya, funcionário de uma companhia de petróleo, a nomeação de uma figura do antigo regime é negativa e não deveria acontecer "neste momento em que o país está extremamente dividido". "Não queremos que uma personalidade do regime de Mubarak ocupe um cargo ou se ocupe de uma pasta, principalmente neste momento".

O país está mergulhado em uma espiral de violência desde 3 de julho, quando Mursi, primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, foi destituído pelo Exército e preso. Desde então, seus partidários e a Irmandade Muçulmana, à qual pertence, têm sido violentamente reprimidos, com milhares de prisões e mais de 1,4 mil mortos, segundo a Anistia Internacional.

Eleição. A nomeação de Mahlab ocorre com a aproximação de eleição presidencial, dentro de um "roteiro" estabelecido pelo Exército após o golpe contra Mursi.

Agraciado com a mais alta patente do Exército, o marechal Sisi não esconde sua intenção de brigar pela presidência, mas para isso deverá renunciar ao cargo de ministro da Defesa e deixar a carreira militar para reunir todas as condições necessárias para se candidatar. Segundo uma fonte próxima ao marechal, ele deve permanecer como ministro até a promulgação da lei eleitoral.

A atual equipe de governo, dirigida por Hazem el-Beblawi, deixa suas funções em meio a um profunda crise, com greve em diferentes setores profissionais e atentados regulares.

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