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Novo papa tem histórico de atritos com casal Kirchner

por Redação Carta Capital — publicado 13/03/2013 22h04, última modificação 13/03/2013 22h25
Casamento gay foi a maior rusga entre Jorge Mario Bergoglio e o governo argentino

O novo papa da Igreja Católica, Jorge Mario Bergoglio, que será conhecido como Francisco, tem um histórico de atritos com o governo dos Kirchner enquanto comandou a arquidiocese de Buenos Aires. O matrimônio entre as pessoas do mesmo sexo e mensagens do governo estiveram entre os motivos das brigas.

Segundo o jornal argentino La Nacion, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007) considerava o arcebispo de Buenos Aires como um expoente da oposição e creditava a ele a organização de protestos contra o governo. O cardeal, por sua vez, havia questionado o “exibicionismo e anúncios estridentes” de Kirchner. Depois do presidente se recusar a comparecer a uma missa, Bergoglio disse que “não havia nenhuma relação entre a igreja e o governo argentino”.

Já a relação com Cristina Kirchner, sucessora de Nestor, começou boa quando ela assumiu a presidência em 2011,mas foi se deteriorando ao longo do tempo, ainda segundo o jornal. O ápice das relações ruins ocorreu quando o Congresso votava a lei que permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O cardeal se colocou a frente de marchas contra o projeto e pediu a todos os sacerdotes que pregassem “o bem inalterável do matrimonio e da família”. Cristina, então, criticou a postura do cardeal. "Eu me preocupo com o tom que adquiriu o discurso contra o projeto, que é visto como uma questão religiosa, moral e ameaça à ordem natural por eles," disse a presidenta.

Nesta quarta-feira 13, Christina divulgou uma nota oficial congratulando Bergoglio pela eleição, sem citar qualquer tipo de rusga. “É nosso desejo que tenha uma frutífera tarefa pastoral desempenhando tão grandes responsabilidades em busca da justiça, igualdade, fraternidade e paz da humanidade”.

Antes dos Kirchner

Em 2001, Bergoglio apoiou os protestos populares em meio à crise argentina ao pedir que as autoridades do país levassem em conta "os problemas reais da agenda social" e dizer que "os mercados não são mais importantes do que as pessoas".

Diante dos índices de desemprego da época, ele não poupou críticas ao governo: "Há pobres perseguidos por pedir trabalho e ricos que fogem da Justiça. Gente que chora pela violência e gente que joga comida fora", afirmou em homilia. Na mesma época, Bergoglio declarou que os argentinos deveriam parar de "rezar" para o FMI porque isso não ajuda o país a se recuperar.