Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Nota da França não será rebaixada

Internacional

À beira da crise

Nota da França não será rebaixada

por Brasil Econômico — publicado 11/08/2011 12h24, última modificação 06/06/2015 18h57
A declaração foi feita pela Standard & Poor's, para quem o governo francês demonstra seriedade em resolver problemas fiscais

A agência de classificação de risco Standard & Poor's desmentiu na quarta-feira 10 os rumores de que a França poderá enfrentar uma mudança na avaliação de sua dívida soberana.

Juntamente com os Estados Unidos, o país possui altos níveis de dívida pública. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta do governo americano deve encerrar o ano em 98% do PIB, para a França a cifra deve atingir 84,8% do PIB.

Em conferência, o diretor de dívidas soberanas da agência, Nikola Swann, destacou que os dois países têm encarado de forma diferente o problema do endividamento.

"Ainda que os níveis de endividamento sejam similares, o fluxo fiscal francês está melhor, o déficit público não é tão alto, e o governo da França mostrou mais seriedade em resolver seus problemas fiscais", explica.

"A avaliação da França continua sendo ‘AAA', e a perspectiva é estável", declarou.

Para o diretor, a França conseguiu resolver suas disputas políticas, algo que os Estados Unidos ainda são vítima.

"Se você considerar o tempo que demorou para fechar o acordo, face à importância do tema, há uma lacuna em relação aos outros países", diz. "Isso é algo que você não vê acontecer em países ‘AAA'."

Na sexta-feira 5 a agência rebaixou de "AAA" para "AA+" a nota de crédito dos Estados Unidos, afirmando que o país enfrenta elevados riscos fiscais e políticos. Segundo a agência, qualquer deslize fiscal pode causar um rebaixamento da nota antes de 2013.

Na segunda-feira 8, a agência rebaixou, em consequência, a nota das empresas de refinanciamento hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, de "AAA" para "AA+".

Para a agência, o setor de hipotecas tem exposição direta aos títulos soberanos, o que motivou o rebaixamento. Contudo, a agência afirmou que o rebaixamento não implica uma alteração no rating de todas as instituições financeiras.

O setor de seguros também foi impactado, com o rebaixamento dos grupos como o New York Life e o Northestern Mutual.

"Não há mudanças imediatas nas classificações de bancos", diz Matt Albrecht, analista de Instituições Financeiras da agência. Por lá, os bancos estão distantes da avaliação "AAA". Por exemplo, o Bank of America é avaliado em "A", com perspectiva negativa. Goldman Sachs e Citibank têm ambos seus títulos avaliados ambos como "A+", acompanhado de perspectiva negativa.

Para as grandes corporações, também não haverá alterações. Johnson & Johnson, Exxon Mobil e Microsoft, por exemplo, deverão continuar sendo avaliadas como "AAA", com perspectiva estável.

Segundo a agência, as companhias possuem baixa exposição aos títulos do governo, e são globalmente diversificadas.

Para o banco suíço UBS, a mudança na avaliação dos EUA não deve afetar os juros ou o financiamento da dívida americana, mas eleva o status dos países europeus.

"Acreditamos que a posição do país como fornecedor dos títulos mais líquidos com prazos longos, junto com a maior moeda de reserva, deve reduzir o impacto de rebaixamento no custo de financiamento da dívida", afirma relatório de Thomas Wacker, analista do banco.

Para a instituição financeira, a Europa deve figurar como alternativa de aplicação segura para os investidores.

*Matéria originalmente publicada em Brasil Econômico