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Eleições em Mianmar

Nobel da Paz consegue cadeira no parlamento

por Redação Carta Capital — publicado 01/04/2012 13h15, última modificação 01/04/2012 13h15
Aung San Suu Kyi, notória opositora dos governos militares e ex-prisioneira política, foi eleita deputada pela primeira vez
Aung San Suu Kyi

©AFP / Christophe Archambault

A vencedora do prêmio Nobel da Paz e líder da oposição em Mianmar, Aung San Suu Kyi, foi eleita deputada pela primeira vez em sua carreira política, em uma eleição parcial histórica celebrada neste domingo 1.

A oposicionista, integrante da Liga Nacional pela Democracia (LND), obteve 82% dos votos no distrito rural de Kahwmu, segundo um dirigente do partido informou à agência de notícias AFP.

Centenas de pessoas festejam a eleição da Nobel na sede do partido em Rangún.

Suu Kyi venceu em todos os centros eleitorais de sua jurisdição, enquanto o partido acumulou ao menos 11 cadeiras no parlamento.

A vencedora do prêmio Nobel da Paz se transformou em ícone da resistência a governos autoritários e já havia triunfado nas eleições de 1990, mas a junta militar da época nunca reconheceu os resultados.

Vinte anos mais tarde, Suu Kyi estava sob prisão domiciliar durante as eleições legislativas de 2010, boicotadas pela LND e criticadas por países ocidentais. Naquele pleito, o Partido da Solidariedade e Desenvolvimento da União (USDP), criado pelos militares, obteve cerca de 80% das regiões.

Em virtude da Constituição, um quarto dos parlamentares são militares designados em meio ao processo eleitoral.

Ao todo, 45 regiões estavam em jogo no país neste domingo, das quais 44 são disputadas diretamente pela LDN : 37 na câmara baixa do Parlamento (de um total de 440), seis na câmara alta e duas nas câmaras regionais.

A LND pretende alcançar a vitória nas 44 regiões em que se apresenta, segundo o partido, encabeçando a contagem de votos em todas elas.

O atual governo, formado por ex-militares que chegaram ao poder há um ano, tenta provar que as reformas iniciadas justificam o fim das sanções impostas pelos países ocidentais para asfixiar a economia do país.

Ao término de um processo de transição não violento e sob o controle do exército, esta nova administração propôs a Suu Kyi somar-se ao sistema político. De acordo com analistas, seria de interesse do governo o triunfo da opositora sob os olhos atentos da comunidade internacional.

Por outro lado, Suu Kyi denunciou diversas irregularidades nas eleições, mas reivindicou o direito de participar do processo. "Uma vez no Parlamento, podemos trabalhar por uma verdadeira democratização", disse na sexta-feira 30.

A LND lançou novas acusações no domingo, ao denunciar a presença de cera nas cédulas ao lado do nome dos candidatos opositores, um procedimento que teria a intenção de induzir a anulação do voto."

Contudo, Surin Pitsuwan, secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que enviou observadores ao país, minimizou o incidente.

Com informações de AFP.

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