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No Zimbábue, apreensão de terras de brancos custou 12 bi de dólares

por Redação Carta Capital — publicado 03/08/2011 14h33, última modificação 03/08/2011 14h33
Governo toma fazendas de brancos para tentar corrigir desequilíbrio provocado pela colonização do país pelo Reino Unido

A apreensão de terras pertencentes a brancos no Zimbábue custou cerca de 12 bilhões de dólares em perdas de produção desde 2000, de acordo com a União dos Agricultores Comerciais. Segundo o presidente da entidade Deon Theron, em entrevista à BBC, a produção agrícola caiu em 70%. Ele também disse que o presidente Robert Mugabe e sua família agora  são donos de mais 39 fazendas.

Durante o período em que o país era colonizado pelo Reino Unido, grande parte das melhores terras no país, então chamado Rodésia, era reservada aos brancos, uma situação que o presidente Mugabe prometeu reverter durante sua guerra contra o governo da minoria branca nos anos 1970. Ele sempre afirmou que as reocupações de terra eram necessárias para corrigir os desequilíbrios provocado pela colonização.

O relatório da União dos Agricultores mostra que a terra se tornou uma ferramenta  para distribuição de clientelismo político. Segundo o documento, cinco aliados de Mugabe têm assumido o controle de pelo menos cinco fazendas cada.
Para Theron as ocupações de terra são a causa do colapso da economia do Zimbábue na última década, pois destruiu a base tributária do país, com a maioria da economia agora no setor informal.

"Se o objetivo da reforma agrária era expulsar os brancos e dar a terra aos negros, então ele pode ser considerado um sucesso", disse Theron. "No entanto, se o objetivo era beneficiar a maioria e não apenas alguns, então, tem sido um fracasso."

Theron diz que o Zimbábue usou essas fazendas para o cultivo de alimento para consumo interno e até para exportção, mas que isso não vem acontecendo. Na terça-feira, a ONU disse que 1,4 milhões de zimbabuanos necessária a ajuda alimentar após quebras de safra.

Esses dados contradizem um estudo divulgado no ano passado, feito pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento do Reino Unido, que constatou que a reforma agrária não foi o fracasso econômico geralmente retratada.

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