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No terceiro dia de investigações, FBI ainda procura respostas sobre atentado

por Redação Carta Capital — publicado 17/04/2013 12h06, última modificação 17/04/2013 12h41
Bombas usadas no atentado na Maratona de Boston foram montadas em panelas de pressão. Ainda não se sabe se o autor é estrangeiro ou norte-americano
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Moradores de Boston fazem vigília na igreja Arlington em lembrança das vítimas do atentado. Foto: Don Emmert / AFP

*notícia atualizada às 12h40

 

O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, ainda não tem indícios de quem foi o responsável pelo atentado realizado na tarde de segunda-feira 15, em Boston, que deixou três mortos e 176 feridos, ao menos 24 deles em estado grave. Duas bombas explodiram na linha de chegada da maratona da cidade, uma das mais tradicionais do atletismo mundial, e até aqui nenhum grupo ou indivíduo reivindicou a autoria do ataque.

As primeiras informações do FBI e das autoridades locais indicam que as bombas foram montadas dentro de panelas de pressão com capacidade para seis litros. Havia, dentro dos artefatos, pólvora e inúmeros objetos metálicos, como pregos e pequenas bolas de ferro, o que indica a intenção do autor de ampliar os efeitos da explosão. Segundo a polícia, eram duas bombas-relógio, acionadas por cronômetros de cozinha, e não por controle remoto, como se pensou inicialmente. Elas teriam sido colocadas em sacolas plásticas ou mochilas e deixadas no chão.

Nos últimos anos, o governo dos Estados Unidos alertou suas agências federais a respeito da fabricação de bombas em panelas de pressão, estratégia usada pela rede terrorista Al-Qaeda. Em 2010, a revista Inspire, publicada em inglês e ligada ao braço da Al-Qaeda na Península Arábica, dedicou diversas páginas à fabricação deste tipo de bomba, dando dicas de como montá-la. Ocorre que este tipo de estratégia já foi usado também por radicais da extrema-direita dos Estados Unidos.

Em entrevista à rede de tevê norte-americana CNN, o ex-diretor-assistente do FBI, Tom Fuentes, afirmou que é possível ver sinais de terrorismo interno e externo no ataque, o que tem dificultado a investigação policial. Chama a atenção o fato de que nenhum grupo assumiu a autoria do ataque, o que subverte a lógica do terrorismo político: usar a violência para fazer avançar uma determinada causa. Sem autor, não há causa.

O FBI informou que já recebeu mais de 2 mil pistas que podem ajudar nas investigações, mas pede que os moradores de Boston e dos Estados Unidos em geral continuem prestando informações. "Alguém sabe quem fez isso", disse Rick DesLauriers, agente especial do FBI responsável pelo escritório da agência em Boston. "A cooperação da comunidade terá um papel crucial nesta investigação", disse.

O FBI e as polícias locais estão focado em encontrar fotografias e vídeos que possam indicar suspeitos. As autoridades pedem informações ao público sobre pessoas que tenham sido vistas no local das explosões carregando sacolas ou mochilas pesadas, onde poderiam estar escondidas as panelas com as bombas.

Três vítimas

Além do garoto Martin Richard, de oito anos, identificado como a primeira vítima do atentado, os outros dois nomes são conhecidos. A segunda vítima é Krystle Marie Campbell, gerente de restaurante de 29 anos, que esperava por um amigo na linha de chegada. A identificação da garota foi traumática, pois seu pai inicialmente recebeu a informação de que ela estava viva e sendo operada. Quando foi encontrar a filha, William Campbell percebeu que não era ela. Mais tarde, recebeu a informação de que Krystle estava morta.

A terceira vítima do atentado é uma garota chinesa, estudante da Universidade de Boston. Seus pais pediram para que seu nome não fosse revelado, mas o jornal Shenyang Evening News, da província chinesa de onde sua família é, confirmou a morte da garota.

Obama e senador recebem carta com substâncias suspeitas

Num incidente sobre o qual não se sabe se há relação com o atentado, o senador republicano Roger Wicker recebeu um carta com ricina, um veneno capaz de matar. "O departamento que administra a correspondência do Senado (...) recebeu um envelope que deu positivo pra ricina", informou uma nota divulgada pelo sargento em armas do Senado, Terrance Gainer. O veneno foi detectado durante uma inspeção de rotina em uma dependência externa do prédio do Congresso. A carta não chegou ao gabinete de Wicker no Capitólio. Roger Wicker é um republicano eleito pelo estado do Mississipi, considerado um político de baixo perfil, que não está especialmente envolvido nos sensíveis debates sobre a reforma migratória, ou sobre o porte de armas.

Nesta quarta-feira 17, o Serviço Secreto dos Estados Unidos confirmou que uma carta com uma "substância suspeita" foi enviada também ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Como no caso do senador, a carta foi interceptada em um prédio onde ocorre a triagem da correspondência remetida à Casa Branca. Novos testes serão realizados nas próximas horas para verificar qual é a substância.

Gainer disse que "a polícia do Capitólio, o FBI e outras agências estão envolvidas na investigação dessa correspondência". O diretor do FBI, Robert Mueller, e a secretária de Segurança Interior, Janet Reno, informaram os senadores sobre o incidente durante uma reunião a portas fechadas na terça-feira à noite. Segundo o assistente de Reid, o objetivo da reunião fazer um relatório do atentado de Boston.

Em fevereiro de 2004, o Senado e a Casa Branca foram alvo de um ataque com ricina, agente biológico enviado na forma de pó. O incidente não fez vítimas. No outono de 2001 (hemisfério norte), porém, ataques com antraz deixaram cinco mortos. O autor do crime nunca foi identificado. Desde então, qualquer correspondência enviada para os parlamentares americanos é examinada fora do prédio do Capitólio, antes de ser entregue.

Com informações da AFP