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No set do palanque

Veja quais atores internacionais já se envolveram com política

por Fernando Vives — publicado 15/08/2011 11h38, última modificação 06/06/2015 18h16
Ronald Reagan e Arnold Schwarzenegger são os grandes ícones de atores que se tornam políticos. Não por acaso ambos foram governadores da Califórnia, onde Hollywood está sediada
Schwarzenegger, governador

O austro-americano comandou a Califórina entre 2003 e 2011

Nos Estados Unidos, os republicanos têm maior tradição entre atores que se tornaram políticos, sobretudo no estado da Califórnia, não por acaso onde fica Hollywood. Veja alguns casos de lá e de outros países:

O ator que chegou mais longe na carreira política sem dúvida foi Ronald Reagan. Ele começou atuando em rádio e filmes de segunda linha até se tornar garoto-propaganda da General Eletric, uma das maiores empresas do País. Reagan, que na juventude votava no Partido Democrata, acabou adepto dos republicanos, cujo partido o gabaritou para ser governador da Califórnia entre 1966 e 1974. Foi eleito presidente em 1980, quando aplicou reformas liberalizantes na economia que hoje são apontadas como prenúncio da crise econômica que assola o país.

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Outro fino exemplo da relação entre Hollywood e a política dos Estados Unidos é Arnold Schwarzenegger. O ator, nascido na Áustria e naturalizado norte-americano, ficou famoso ao ingerir quantidades cavalares de tônus musculares para se tornar, aos 20 anos de idade, Mister Olímpia e Mister Universo, concursos de beleza para pessoas com musculatura altamente desenvolvida, e nos quais era chamado de O Carvalho Austríaco. Durante os anos 1980 e 1990, fez grande fama nas telas de cinema explodindo carros, casas e tudo mais que estivesse pelo caminho em filmes como O exterminador do futuro e Conan, o Bárbaro. Schwarzenegger militava pelo Partido Republicano havia muitos anos quando, em 1985, fez um discurso anti-drogas em evento do presidente republicano Ronald Reagan. Acabou seduzido pela elite do partido para tornar-se um político. Foi eleito governador da Califórnia em 2003, cargo que ocupou até o início de 2011. Ficou conhecido como The Governator, um trocadilho entre Governador e The Terminator, que é o nome original do filme O Exterminador do Futuro.

Adepto do Partido Republicano, o ator e diretor Clint Estwood foi eleito prefeito de uma pequena cidade chamada Carmel-by-the-Sea, de apenas 4 mil habitantes, no litoral da Califórnia. Apesar do tamanho da cidade, por seu nome ele costumava ser muito requisitado em grandes reuniões do partido. Ele acabou se afastando dos republicanos nos anos seguintes ao defender bandeiras como a do casamento gay e a legalização do aborto.

O ator Val Kilmer é outro que pensou bastante em se dedicar à política, mas na última hora desistiu. Ele quase saiu candidato a governador do estado do Novo México, onde mora há mais de 20 anos.

No Reino Unido existem ao menos dois casos. A atriz Glenda Jackson, que ganhou o prêmio de melhor atriz do Oscar em duas oportunidades, é deputada da ala esquerda do Partido Trabalhista. É notória por suas posições fortes. Também John Cleese, famoso por ser um dos integrantes do grupo humorístico Monty Python, era militante e porta-voz do Partido Liberal, que segue à margem dos dois grandes partidos britânicos, o Conservador e o Trabalhista.

Na França, o ator e cantor Yves Montand (que na realidade nasceu na Itália, mas era naturalizado francês) teve uma carreira artística diretamente relacionada com o engajamento político de esquerda. Montand chegou a ser cotado para ser candidato a presidente da França, mas nunca houve um envolvimento direto dele quanto a isso. Nos anos 1980, Montand costumava frequentar programas de tevê para falar sobre a conjuntura política francesa e defender os direitos humanos. Também juntou diversos artistas do país para combater o crescimento da Frente Nacional, partido de extrema-direita que ainda engatinhava à época, mas que chegaria ao segundo turno das eleições presidenciais em 2002. Yves Montand morreu aos 70 anos em 1991.