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No primeiro debate nos EUA, Romney saiu na frente

por Redação Carta Capital — publicado 04/10/2012 00h10, última modificação 04/10/2012 00h10
O candidato republicano foi assertivo diante de um Barack Obama apático e focou todas as suas propostas na criação de emprego
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Romney e Obama durante o debate desta quarta-feira, em Denver. Foto: Saul Loeb / AFP

O primeiro debate presidencial de 2012 nos Estados Unidos, realizado na noite desta quarta-feira 3 na Universidade de Denver, no Colorado, pouco ajudou os eleitores americanos, em termos de conteúdo, a decidir seu voto para o próximo dia 6 de novembro. Quem procura personalidade, entretanto, viu um Mitt Romney agitado e assertivo diante de um Barack Obama apático, que não conseguiu defender com consistência nenhuma de suas ideias.

Obama só foi assertivo no início do debate. Ele lembrou que assumiu a Casa Branca com uma economia em situação precária e que, aos poucos, tenta começar a se recuperar. Obama prometeu melhorar a condição da classe média norte-americana e acusou Romney de defender um modelo de impostos que privilegia os mais ricos em detrimento desta classe média. Romney desarmou Obama afirmando que não iria aumentar os impostos para classe média e nem reduzir impostos para as grandes companhias e os mais ricos de forma a ampliar o déficit americano.

Romney afirmou, por diversas vezes, que as políticas de Obama “esmagaram” a classe média e não tiveram sucesso em criar o número de empregos necessários para a economia americana. A questão da criação de empregos foi trazida à tona diversas vezes por Romney, numa tentativa de contemplar a maior preocupação dos americanos atualmente.

Esta mesma tática, de desmentir Obama, foi usada por Romney durante todo o debate. O republicano retrucou cada comentário do presidente dos Estados Unidos e se mostrou mais moderado do que costuma ser. Em rede nacional, a tática pode ter efeito positivo, uma vez que a campanha democrata tenta pintar Romney como um radical.

Obama, por sua vez, não conseguiu se impor diante de Romney nem mesmo ao defender seu plano universal de saúde, um desejo antigo do Partido Democrata e que Obama conseguiu aprovar após uma longa disputa política. Romney fez duras críticas ao plano, que Obama respondeu de forma evasiva. Obama notou, como muitos analistas já fizeram, que o plano aplicado por Romney no Estado de Massachussets quando foi governador era parecido. Romney rebateu dizendo que é missão dos Estados cuidar da saúde e que ele, ao contrário de Obama, debateu o plano com republicanos e democratas, em vez de tentar impor sua versão.

Chamou a atenção de forma negativa a postura de Obama. Parecendo cansado, contrariado e até irritado, ele ouvia as falas de Romney de cabeça baixa, enquanto o candidato republicano olhava firmemente para Obama. Obama também não usou duas armas que tinha contra Romney: os polêmicos comentários a respeito de “47% dos americanos” que querem depender do governo, segundo Romney, e o passado do republicano na Bain Capital, uma empresa financeira acusada de provocar o fechamento de diversas companhias nos Estados Unidos.

Em entrevista à CNN, Stephanie Cutter, segunda no comando da campanha de Obama, afirmou que Romney pode ter ido melhor na aparência, mas que Obama foi melhor no conteúdo. Só as pesquisas poderão dizer como os americanos entenderam a troca de ideias entre Romney e Obama. Os dois voltam a se enfrentar mais duas vezes antes das eleições, em 16 e 22 de outubro.