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Não foi um ato de loucura

por Gianni Carta publicado 28/07/2011 13h00, última modificação 25/10/2011 11h47
A Europa que abraçou a islamofobia inspirou o massacre
Não foi um ato de loucura

A Europa que abraçou a islamofobia inspirou o massacre. Foto: Jonathan Nackstrand/AFP

Anders Behring Breivik teria agido sozinho ao massacrar 76 pessoas na Ilha de Utoya e em um centro administrativo de Oslo, ambos na Noruega, sexta-feira 22. Enquanto isso, o advogado desse católico fundamentalista, motivado a lutar contra marxistas e muçulmanos e contra a islamização da Europa, prepara a defesa do cliente com base na sua alegada insanidade. Mas constituiria alívio para os habitantes do país e de toda a Europa saber que a chacina foi um caso isolado, como acreditam os serviços de segurança, e seu autor, um desequilibrado jovem branco norueguês de 32 anos?

O fato é que, louco ou não, tenha ou não agido sozinho, Behring Breivik jamais poderia ser considerado um caso isolado. Há uma ação política a sustentá-lo, praticada por líderes governamentais em busca de votos. “E o verdadeiro perigo é querer responder a uma xenofobia de extrema--direita caminhando em sua direção”, disse a CartaCapital em Bruxelas, poucas semanas atrás, Daniel Cohn-Bendit, principal ator na Paris de maio de 1968. Atualmente deputado dos verdes no Parlamento Europeu, Cohn-Bendit raciocinava que, baseados nessa ideia de excepcionalidade da ação direitista e preocupados em ganhar o voto da crescente fatia do eleitor com tal perfil, os líderes europeus abandonaram o combate à islamofobia, priorizando a luta contra a imigração e a guerra contra o terrorismo iniciada por George W. Bush. A retórica de partidos populistas, a estigmatizar os muçulmanos, domina o palco político.*

*Leia a matéria na íntegra na edição 657 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 29

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