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"Não é justo que uma criança palestina cresça sem um Estado seu", diz Obama

por Redação Carta Capital — publicado 21/03/2013 18h59, última modificação 21/03/2013 19h01
Em discurso a universitários israelenses, presidente dos EUA pede maiores esforços pela paz e reforça compromisso com a segurança de Israel

Em um esperado discurso para universitários israelenses em Jerusalém, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira 21 que a Palestina merece ter um Estado. O democrata foi mais incisivo ao pedir um esforço pela paz entre os dois lados, mas ressaltou seu comprometimento com a manutenção da segurança de Israel.

“Não é justo que uma criança palestina cresça sem ter um Estado seu e viva com a presença de um exército estrangeiro que controla os movimentos de seus pais todos os dias", disse. E completou: "Não é justo quando a violência de colonos contra palestinos fica impune. Não é correto evitar que os palestinos plantem em suas próprias terras; restringir a habilidade de um estudante de se mover em Jerusalém Ocidental, ou retirar famílias palestinas de suas casas."

Em sua primeira viagem oficial a Israel, Obama ainda afirmou que os assentamentos israelenses em território palestino “são contraproducentes à causa da paz”, embora não tenha insistido para que fossem interrompidos. “Assim como os israelenses construíram um Estado em sua tera natal, os palestinos têm o direito de ser um povo livre em sua própria terra."

O democrata também pediu para que os jovens israelenses se colocassem no lugar dos palestinos.“Tentem ver o mundo com os olhos deles.”

O discurso de Obama era encarado como um contraponto à sua fala no Cairo, em 2009, quando buscava uma relação melhor com os países árabes. À época, o discurso foi mal visto por grande parte dos israelenses.

Encontro com Mahmud Abbas

Pela manhã, Obama se encontrou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, em Ramallah. Na reunião, ressaltou que a solução para a paz entre Israel e a Palestina com a criação de dois Estados "continua a existir". "Com base nas conversas que tive com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente Abbas, acredito que a possibilidade de uma solução de dois Estados continua a existir", disse em coletiva ao lado de Abbas.

          

Obama evitou, no entanto, traçar um caminho para atingir esse cenário. Também não pediu o congelamento da colonização israelense, após Abbas afirmar que não serão retomadas as negociações de paz com Israel sem um congelamento da construção de colônias. "Não consideramos a manutenção da colonização construtiva, adequada, ou que possibilite avançar a causa da paz", afirmou o líder palestino.

Ele ainda ressaltou que os palestinos estão "preparados para respeitar seus compromissos estipulados no processo de paz com o objetivo de chegar a uma solução de dois Estados, a Palestina e Israel".

O presidente americano é a liderança mais importante a visitar os Territórios Palestinos desde o reconhecimento da Palestina como Estado observador na ONU em novembro. Os EUA se opuseram à medida.

Protestos

Cerca de 150 manifestantes tentaram se aproximar do complexo presidencial palestino, protegido por um grande esquema de segurança, para protestar contra esta visita de Obama.

Antes, no início da manhã, um grupo armado da Faixa de Gaza disparou dois foguetes que caíram em Sedrot, ao sul de Israel, sem deixar feridos. O grupo salafista Aknaf Bayt al-Maqdis assumiu a autoria dos disparos.

Obama condenou a ação, enquanto as autoridades israelenses acusaram o Hamas, movimento rival do Fatah de Abbas que governa a Faixa de Gaza. O grupo garantiu, no entanto, que os disparos não poderiam ter sido efetuados por grupos armados de Gaza. "Não há relação alguma entre a resistência e esses foguetes, se essa informação tiver credibilidade, em particular levando-se em consideração o momento e seu alvo", afirmou em comunicado Taher al-Nunu, porta-voz do chefe do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh.

Com informações AFP.