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Liberdade de expressão

Na toca com os Leões

por Redação Carta Capital — publicado 20/02/2013 20h19, última modificação 06/06/2015 18h26
Vítima de perseguição em Cuba, Yoani Sánchez recebe apoio de quem já defendeu a censura - e até a tortura - no Brasil

Vítima da , a blogueira cubana Yoani Sánchez se transformou nesta quarta-feira 20 em troféu para a oposição. Convidada pelo PSDB para falar no Congresso, ela foi recepcionada pelo senador Aécio Neves, virtual candidato tucano à Presidência em 2014, e posou para fotos ao lado de políticos que, por aqui, não são reconhecidos exatamente pela defesa de direitos humanos ou da liberdade de expressão que a ativista diz sentir falta em seu país.

Um deles foi Jair Bolsonaro (PP-RJ), ex-militar homofóbico que já defendeu a tortura, a censura, a pena de morte e o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Diante da blogueira, Bolsonaro afirmou que o golpe de 1964 no Brasil foi “uma imposição popular”.

"Graças aos militares nós hoje gozamos de democracia", disse, após fazer uma série de críticas ao regime dos irmãos Castro, Fidel e Raúl. Diante dos manifestantes na Casa, o deputado chegou a provocar: "Vão para Cuba".

Perto de Yoani estava também o deputado da bancada ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), a quem não se aplicaria, em tese, o rótulo de defensor da liberdade de expressão, como prova a ação movida em 2005 contra o escritor Fernando Moraes para tirar de circulação o livro A Toca dos Leões. Na obra, Caiado é citado como “um cara muito louco” que havia sugerido a adição de contraceptivo na água potável para resolver o problema de superpopulação nas camadas mais pobres do Nordeste. A citação foi refutada pelo deputado, que tentou tirar a obra de circulação. À época, o Conselho de Comunicação Social classificou a decisão da Justiça em favor do parlamentar como “inaceitável".

A blogueira, obviamente, não é obrigada a saber o histórico de todos os que hoje lhe estendem as mãos em apoio. Mas não deixa de ser uma ironia para quem veio ao País aprender como acontece na prática o exercício da liberdade de expressão.

Confusão. Convidada para assistir à apresentação de um documentário em que ela critica o governo de Cuba, Yoani chegou em uma van da Câmara dos Deputados, escoltada por homens da Polícia Legislativa. Por causa do grande número de parlamentares e de jornalistas à espera da blogueira, a passagem de veículos chegou a ser interrompida.

Depois de ser hostilizada por manifestantes durante a sua passagem por Recife, e Feira de Santana, na Bahia – onde foi impedida de ver o documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta baiano Dado Galvão –, ela recebeu o convite do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) para assistir ao vídeo na Câmara.

O plenário 1 da Câmara ficou lotado para a sessão do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, do cineasta baiano Dado Galvão. O vídeo traz um depoimento da blogueira sobre a dificuldade enfrentada pelo povo cubano.

O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), pediu “desculpas em nome do PSDB pelas agressões” sofridas pela blogueira. “Este não é o retrato do Brasil”, disse.

Yoani agradeceu ao apoio e ressaltou que espera um dia ter a mesma oportunidade no Congresso cubano. “Sonho com o dia em que nosso Parlamento ouça todos os tipos de vozes. Levarei boas lembranças de Brasil”, concluiu.

 

Com informações da Agência Brasil e do Portal do PSDB