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Internacional

Michael Strauss

Na cegueira da “Guerra ao Terror”

por Gianni Carta publicado 28/04/2011 09h09, última modificação 25/10/2011 11h50
O especialista francês desnuda as violações e erros cometidos pelo governo dos EUA na prisão de Guantánamo

O especialista francês desnuda as violações e erros cometidos pelo governo dos EUA na prisão de Guantánamo

Os documentos secretos do Pentágono publicados recentemente pelo site WikiLeaks revelam que numerosos presos na Baía de Guantánamo, erroneamente catalogados como “uma ameaça mínima”, foram libertados, enquanto centenas de reclusos inocentes foram mantidos no centro de detenção. Além disso, a prisão em Guantánamo, estabelecida em janeiro de 2002 sob George W. Bush, não ajudou os Estados Unidos a desmantelar a rede Al-Qaeda. Centenas de detidos, inclusive
adolescentes e idosos de 89 anos a padecer de demência senil, permaneceram detidos anos a fio, sem ter qualquer conexão com organizações terroristas. Barack Obama, que em janeiro de 2009 prometeu fechar o centro de detenção em um ano, julgou infeliz a divulgação dos documentos secretos. Fez mais: defendeu a atuação “cuidadosa” e “diligente” de seus antecessores. Em março, o presidente norte-americano pôs fim ao congelamento de dois anos de processos militares em Guantánamo.

Michael Strauss, professor de Relações Internacionais do Centre d’Études Diplomatiques et Stratégiques de Paris e autor de The Leasing of Guantánamo Bay (Praeger, 2009), faz uma análise que transcende as repercussões dos documentos divulgados pelo WikiLeaks. Strauss aprofunda, entre outros temas, o debate sobre a legalidade dos julgamentos militares no contexto do arrendamento territorial entre Cuba e Estados Unidos. O acordo, assinado em 1903, deu aos EUA direitos jurídicos sobre Guantánamo.

Strauss relembra como o governo Bush enganou o sistema legal dos Estados Unidos na sua “guerra contra o terror”.

CartaCapital: A prisão em Guantánamo é um fiasco?

Michael Strauss: Não creio que em si seja um fiasco, mas podemos chamar de fiasco a estrutura na qual ela supostamente deveria funcionar. As razões que levaram os Estados Unidos a estabelecer uma prisão em Guantánamo foram estas: deslocar o crime de terrorismo da esfera civil para a militar e deter os presos fora de seu território soberano. Esse esquema criou vários novos problemas legais, políticos e morais. Para os norteamericanos, ficou ainda mais difícil lidar com a questão do terrorismo com parceiros internacionais.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 644, já nas bancas.

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