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Mudança de tom do Irã traz esperança ao debate nuclear

por Deutsche Welle publicado 10/11/2013 18h31, última modificação 10/11/2013 18h39
Apesar de aiatolá Khamenei, responsável por anos de estagnação nas negociações, manter papel decisivo na política iraniana, sanções ocidentais forçam Teerã a mudar discurso. Jamsheed Faroughi comenta.
Jason Reed / AFP
Catherine Ashton e Mohammad Javad Zarif

Catherine Ashton, enviada da União Europeia, e Mohammad Javad Zarif, o ministro do Exterior do Irã, durante entrevista coletiva em Genebra, neste domingo 10

Por Jamsheed Faroughi*

Não é inédito uma conferência sobre o programa nuclear do Irã encerrar-se sem resultados, como foi o caso da segunda rodada de negociações, neste sábado 9. Novo foi o fato de, desta vez, Teerã não ter jogado para ganhar tempo e de não ter feito o papel de estraga-prazeres. Pelo contrário: o país estava bastante disposto a fazer concessões, não sendo o culpado pelo fracasso das negociações.

Como interpretar essa guinada do Irã no conflito nuclear, da teimosia irredutível a uma política externa aberta ao consenso? Não é este o mesmo país que, durante décadas, protagonizou exclusivamente manchetes negativas? Não é o país que, sob a presidência de Mahmud Ahmadinejad, com sua retórica agressiva e política externa provocadora, estava praticamente isolado?

Tudo começou com as eleições presidenciais. Desde sua posse, há pouco mais de três meses, o novo presidente iraniano, Hassan Rohani, vem emitindo sinais positivos em direção à comunidade internacional. Esse já era motivo suficiente para que se antecipasse com otimismo a nova rodada de conversações com Teerã. Só que essa é apenas a metade da verdade.

Khamenei, protagonista de fato

Não há dúvida de que o líder religioso supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, segue tendo a última palavra nos assuntos nacionais. Assim, é impensável uma mudança de curso em tema tão importante quanto o programa nuclear sem a aquiescência dele.

Foi Khamenei o responsável pelos anos de estagnação nas conversas, e não sua marionete, Ahmadinejad. O que o levou a se desviar da velha política atômica, trilhando um caminho inteiramente diverso, juntamente como o novo presidente?

No tocante ao Irã, a resposta é relativamente simples: tiveram efeito tanto as sanções contra as exportações de óleo bruto e gás, quanto a exclusão do país do sistema financeiro internacional. Sanções só são eficazes quando doem – e essas doeram, sem sombra de dúvida.

Os negócios petroleiros reduziram-se drasticamente, com uma queda de faturamento de, no mínimo, 50%. O fundo do poço foi atingido em 2012, e custou ao Irã quase o equivalente a 30 bilhões de euros. Em 2013, a situação financeira é ainda mais crítica do que um ano antes.

Guinada política

Obviamente são graves as consequências econômicas das sanções sobre os combustíveis fósseis para o Irã, país cuja receita depende até 70% diretamente das exportações de petróleo e gás natural. Entre esses efeitos estão a radical desvalorização da moeda nacional, a inflação galopante, a escalada do desemprego em todo o país, a falta de perspectivas para a sociedade jovem, a insatisfação generalizada.

Juntos, todos esses fatores obrigaram os detentores de poder a dar uma guinada política. Em relação ao conflito nuclear, durante anos o Irã procurou ganhar tempo. Agora, os conservadores são forçados a ver que o tempo corre contra eles. Porém, mesmo para uma solução diplomática, o prazo não é infinito.

Todos precisam entender que um acordo com Teerã na questão atômica é vital para a solução pacífica do conflito. Essa conquista se constituiria numa genuína conclusão do tipo win-win, na qual as duas partes do conflito ganham, trazendo vantagens para todos os envolvidos.

É certo que nem todos estão satisfeitos com uma aproximação entre o Irã e o Ocidente. Pelo contrário: os opositores do acordo são numerosos e estão por toda a parte, também no próprio país – um fato que não se pode esquecer.

Desde as eleições presidenciais, sopra sobre o país o wind of change – vento da mudança. Entretanto não se pode ignorar a força do vento contrário. Não se deve interpretar o atual silêncio dos ultraconservadores como um sinal de anuência. Todo adiamento desnecessário proporcionará o fortalecimento dos linhas-duras, e não só no Irã. Não há dúvidas: o verdadeiro trabalho começa agora.

* é chefe da redação iraniana da DW

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