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Milhões voltam às ruas do Egito em protesto contra Mubarak

por Redação Carta Capital — publicado 08/02/2011 11h58, última modificação 11/02/2011 14h21
Em pronunciamento ontem, o ditador avisou que não largaria o poder e o exército divulgou comunicado apoiando a decisão; greves paralisam diversos setores e o Canal de Suez

A maior manifestação desde o início dos protestos no Egito acontece nesta sexta-feira 11. Pelas ruas do Cairo, calcula-se que mais de 4 milhões de pessoas exigem a saída do ditador Hosni Mubarak. Em outras grandes cidades do país, como Suez e Alexandria, manifestantes também estão concentrados.

Greves paralisam diversos setores da economia. A mais preocupante delas é a greve dos funcionários do Canal de Suez, importante ponto de passagem para cargueiros e petroleiros rumo ao mercado Europeu.

Acompanhe aqui a cobertura ao vivo da TV Al Jazeera

As exigências populares da saída de Mubarak do poder que ocupa há 30 anos tomaram as ruas no dia 25 de janeiro. Inspirados pela população da Tunísia - que dias antes havia tirado do cargo o presidente Ben Ali -, os egípcios exigiam a queda do ditador, que resiste na presidência.

Os protestos começaram com enfrentamentos entre manifestantes e a polícia, mas os policiais logo desistiram de reprimir as multidões e muitos deles juntaram-se às manifestações. No fim de janeiro, Mubarak tentou acalmar a situação anunciando a dissolução do gabinete e nomeando Omar Suleiman como seu vice. Não adiantou. A resposta da população seguiu no tom: o ditador precisava cair.

Durante todo o dia de ontem, boatos de que Mubarak renunciaria em um discurso à noite reanimaram os manifestantes. Milhões reuniram-se no Cairo para acompanhar o pronunciamento, esperando para celebrar o fim do regime. E foram frustrados. Mubarak avisou que ficari.

Mubarak prometeu conduzir um “processo pacífico de transição de poder” no Egito até as eleições de setembro. Com um discurso frio, o ditador avisou que pretende reformar seis artigos da Constituição para “recuperar a confiança da população”. Mubarak comprometeu-se, novamente, a não concorrer a um novo mandato nas eleições presidenciais de setembro.

O ditador tentou frear os ânimos do povo fazendo uma ameaça de natureza econômica em relação aos protestos: “Nossa economia vem sofrendo perdas e danos a cada dia. A juventude que está pedindo por mudanças será a primeira vítima disso”. A multidão não recebeu bem o discurso. Ainda no meio do pronunciamento, já se ouviam gritos e vaias entre os manifestantes.

O tom dos protestos subiu antes mesmo do fim do discurso. Gritos de “Saia!” tomaram a praça Tahrir, centro das manifestações. Enquanto Mubarak apelava para seu passado como “herói da guerra dos 6 dias” e militar “que lutou pela honra da nação”, o povo nas ruas levantava a voz abafando o ditador.

A raiva tomou conta da multidão e até mesmo os EUA, historicamente pró-Mubarak, tomaram uma posição mais dura, com a Casa Branca classificando de "insuficientes" as medidas do ditador egípcios. O povo continuou nas ruas durante a madrugada aguardando a sexta-feira - e ansioso pela posição tomada pelo exército. Analistas esperavam por um golpe militar, que também não veio.

O comando do exército egípcio divulgou um comunicado apoiando as medidas anunciadas ontem por Mubarak e pedindo que a população voltasse à vida normal. Com o ditador ainda no poder e o exército claramente contra a vontade popular, os milhões continuam nas ruas do Cairo.
A maior manifestação desde o início dos protestos no Egito acontece

nesta sexta-feira 11. Pelas ruas do Cairo, calcula-se que mais de 4

milhões de pessoas exigem a saída do ditador Hosni Mubarak. Em outras

grandes cidades do país, como Suez e Alexandria, manifestantes também

estão concentrados.

Greves paralisam diversos setores da economia. A mais preocupante delas

é a greve dos funcionários do Canal de Suez, importante ponto de

passagem para cargueiros e petroleiros rumo ao mercado Europeu.

Acompanhe aqui a cobertura ao vivo da TV Al Jazeera

As exigências populares da saída de Mubarak do poder que ocupa há 30

anos tomaram as ruas no dia 25 de janeiro. Inspirados pela população da

Tunísia - que dias antes havia tirado do cargo o presidente Ben Ali -,

os egípcios exigiam a queda do ditador, que resiste na presidência.

Os protestos começaram com enfrentamentos entre manifestantes e a

polícia, mas os policiais logo desistiram de reprimir as multidões e

muitos deles juntaram-se às manifestações. No fim de janeiro, Mubarak

tentou acalmar a situação anunciando a dissolução do gabinete e nomeando

Omar Suleiman como seu vice. Não adiantou. A resposta da população

seguiu no tom: o ditador precisava cair.

Durante todo o dia de ontem, boatos de que Mubarak renunciaria em um

discurso à noite reanimaram os manifestantes. Milhões reuniram-se no

Cairo para acompanhar o pronunciamento, esperando para celebrar o fim do

regime. E foram frustrados. Mubarak avisou que ficaria na presidência.

Mubarak prometeu conduzir um “processo pacífico de transição de poder” no Egito até as eleições de setembro. Com um discurso frio, o ditador avisou que pretende reformar seis artigos da Constituição para “recuperar a confiança da população”. Mubarak comprometeu-se, novamente, a não concorrer a um novo mandato nas eleições presidenciais de setembro.

O ditador tentou frear os ânimos do povo fazendo uma ameaça de natureza econômica em relação aos protestos: “Nossa economia vem sofrendo perdas e danos a cada dia. A juventude que está pedindo por mudanças será a primeira vítima disso”. A multidão não recebeu bem o discurso. Ainda no meio do pronunciamento, já se ouviam gritos e vaias entre os manifestantes.

O tom dos protestos subiu antes mesmo do fim do discurso. Gritos de “Saia!” tomaram a praça Tahrir, centro das manifestações. Enquanto Mubarak apelava para seu passado como “herói da guerra dos 6 dias” e militar “que lutou pela honra da nação”, o povo nas ruas levantava a voz abafando o ditador.

A raiva tomou conta da multidão e até mesmo os EUA, historicamente

pró-Mubarak, tomaram uma posição mais dura, com a Casa Branca

classificando de "insuficientes" as medidas do ditador egípcios. O povo continuou nas ruas durante a madrugada aguardando a sexta-feira - e ansioso pela posição tomada pelo exército. Analistas esperavam por um golpe militar, que também não veio.

O comando do exército egípcio divulgou um comunicado apoiando as medidas anunciadas ontem por Mubarak e pedindo que a população voltasse à vida normal. Com o ditador ainda no poder e o exército claramente contra a vontade popular, os milhões continuam nas ruas do Cairo.

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