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Ministros do Hezbollah renunciam e obrigam a formação de um novo governo no Líbano

por Sul 21 — publicado 13/01/2011 10h42, última modificação 13/01/2011 10h42
A renúncia em massa é um protesto contra a criação de um tribunal para julgar o pai do primeiro-ministro Hariri, o ex-primeiro ministro Rafik Hariri

A renúncia em massa é um protesto contra a criação de um tribunal para julgar o pai do primeiro-ministro Hariri, o ex-primeiro ministro Rafik Hariri
Por Jorge Seadi
Os ministros do Hezbollah que faziam parte do governo do Líbano, do primeiro-ministro Saad Al Hariri, pediram demissão,  confirmou a agência estatal do Líbano. Além dos integrantes do governo do Hezbollah, o ministro aliado Adnan Sayyed Hussen, também renunciou ao cargo. O anúncio da renúncia coletiva foi feito pelo ministro Gebran Basil, de Minas e Energia , em entrevista a uma emissora de TV de Beirute. Basil é integrante da oposição.
O Hezbollah já solicitou ao presidente Michel Suleiman que forme um novo governo. Para derrubar o governo, o partido precisava do apoio de mais de um terço dos 30 integrantes do gabinete. Com a saída dos 10 ministros do partido e mais o aliado Sayyed é possível que o presidente Suleiman tenha que formar um novo gabinete.
A renúncia em massa é um protesto contra a criação de um tribunal para julgar o pai do primeiro-ministro Hariri, o ex-primeiro ministro Rafik Hariri. O tribunal tem o apoio da ONU. As divergências no governo libanês vem crescendo nos últimos meses e a tentativa da Síria e da Arábia Saudita de fazerem um acordo falhou. A possibilidade de um conflito sectário entre xiítas e sunitas é grande.
O líder do Hezbollah, Sayyed Hassen Nasrallah, disse que o tribunal deverá acusar membros de seu partido de terem participado do atendado de 2005 que matou Rafik Hariri e mais 22 pessoas. O Hezbollah nega participação no atentado e denunciou o tribunal como “um projeto de Israel”. O Hezbollah pediu ao primeiro ministro Saad Hariri que desconsidere as decisões do tribunal.
O primeiro ministro libanês Saad Hariri está nos Estados Unidos. Esta tarde esteve reunido com o presidente Barack Obama. Hariri ainda não se pronunciou sobre a renúncia coletiva.
O professor de Ciências Políticas da Universidade Americana de Beirute, Samir Geagea, disse que os “Estados Unidos vetaram a iniciativa síria-saudita e há poucas chances de se formar um novo governo rapidamente”. Ao mesmo tempo, o professor chama a atenção para um possível aumento de ações de guerrilha, promovidas pelo Hezbollah para desestabilizar o governo e anular as decisões do tribunal. Ele reconhece que a estabilidade do país está muito próxima do fim. Samir Geagea disse que o grande objetivo do Hezbollah é derrubar o atual primeiro ministro e provoca a divisão do país.
Todos os sindicatos do país convocaram uma greve geral para 10 de fevereiro. Em 2008, uma paralisação como esta que se ensaia iniciou uma grande onda de violência que, por muito pouco, não terminou em conflito geral.
Para completar o quadro de insegurança, aviões israelenses invadiram o espaço aéreo do Líbano com simulação de bombardeios, no sul do Líbano

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