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Internacional

Os EUA e a crise

E o impasse continua

por Redação Carta Capital — publicado 30/07/2011 11h13, última modificação 06/06/2015 18h16
Obama apela a eleitores, pede tuitaço, mas vê democratas entrarem em ação para evitar aprovação de medida paliativa desenhada por republicanos
Crise nos EUA

Na campanha eleitoral, Obama era uma esperança aos mais jovens, que não está se confirmando na realidade. Foto: Jewel Samed/AFP

Não adiantou o apelo à campanha vitoriosa de 2008 nem a convocação do tuitaço para pressionar os adversários no Congresso a aprovar o pacote considerado salvador para a economia norte-americana. A semana, para o presidente Barack Obama, terminou de forma ainda mais tensa do que começou.

Na noite de sexta-feira 29, a situação chegou ao extremo quando os democratas tiveram de entrar em ação para derrubar, no Senado, um projeto que acabava de ser aprovado na Câmara dos Representantes, dominada pelos republicanos. Sob críticas do próprio presidente americano, o plano, proposto pelo republicano John Boehner, presidente da Câmara, previa a elevação do teto da dívida dos EUA, atualmente em 14,3 trilhões dólares (cerca de 22,2 trilhões de reais) – em 900 bilhões de dólares. Foi aprovado por 218 votos a 210.

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Os senadores democratas, incendiados por Obama, consideraram a medida apenas paliativa, já que permitiria apenas o pagamento da dívida a curto prazo e adiaria o problema para uma próxima votação no Congresso em um futuro próximo, num clima de tensão com viés de alta em razão do clima da disputa presidencial para 2012.

O plano previa também cortes orçamentários de cerca de 917 bilhões de dólares, além de mudanças constitucionais para tentar equilibrar o Orçamento. Por ordem da Casa Branca, a proposta foi rejeitada pela maioria democrata.

Para Obama, o plano ideia seria que o teto da dívida fosse elevado em pelo menos 2,5 trilhões de dólares e que os cortes fossem estimados em 2,2 trilhões de dólares.

Horas antes da votação, Obama fez um pronunciamento na Casa Branca pedindo "por favor" à população para que não desanimasse e fizesse pressão, até mesmo nas redes sociais, sobre os congressistas: "Se quiserem ver um comprometimento bipartidário, fale com seu representante, dê um telefonema, mande um e-mail, use o Twitter", pediu.

Já no sábado, Obama afirmou, em seu programa semanal no rádio, que a solução deve ser bipartidária e lembrou: "o tempo está acabando". "Se não fizermos isso (chegar a um acordo), podemos perder, pela primeira vez, a nossa nota de crédito AAA, não porque não tivemos a capacidade de pagar nossas contas. Nós temos. Mas porque não temos um sistema político de nota AAA para fazer isso."

A resposta veio quase em seguida, quando praticamente todos os republicanos no Senado assinaram uma carta dizendo que não votarão a favor de um plano democrata para elevar o limite de dívida do país, de acordo com a agência Reuters. Caso mantenham a posição, a proposta de Obama não terá o apoio necessário para avançar no Congresso.

Ainda segundo a agência, o documento foi assinado por 43 dos 47 membros do partido de oposição ao governo do presidente Obama. Os democratas precisam de ao menos sete votos republicanos para vencer uma votação processual na Casa de 100 assentos.

A expectativa era que o Senado votasse uma nova proposta na manhã de domingo, abrindo espaço para uma deliberação final na segunda-feira, pouco antes da abertura dos mercados financeiros nos Estados Unidos.

Caso o impasse do teto da dívida não seja resolvido até 2 de agosto, lembra o site da BBC Brasil, os EUA não terão como cumprir com todas as suas obrigações financeiras, o que pode forçar uma moratória com prováveis impactos na economia mundial.

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