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Milhares de pessoas tomam as ruas de Paris em protesto contra o casamento gay

por AFP — publicado 25/03/2013 11h09, última modificação 25/03/2013 11h09
O ato é a última grande manifestação antes da adoção definitiva do projeto de lei que legaliza a união e adoção por casais do mesmo sexo e pede que o presidente cuide da economia e deixe a família em paz
Paris

A polícia estima que cerca de 300 mil manifestantes participaram dos protestos. Foto: ©afp.com / Thomas Samson

PARIS (AFP) - Uma multidão invadiu as ruas de Paris na tarde deste domingo 24 para protestar contra o casamento entre homossexuais, em uma última mobilização em massa antes da adoção definitiva do projeto de lei que legaliza a união e adoção por casais do mesmo sexo.

Milhares de pessoas, entre as quais muitas famílias, se reuniram em frente ao Arco do Triunfo, ao longo de um trecho de 5 km. Os organizadores estimam "ao menos 1,4 milhão" de participantes contra 300 mil manifestantes, segundo a polícia.

Discursando em um palanque enorme, o deputado da UMP (União para um Movimento Popular), principal partido de oposição de direita, Henri Guaino, que havia convocado os manifestantes a "censurarem" o governo "nas ruas", declarou aos participantes: "Em 13 de janeiro vocês eram um milhão. Vocês são muito mais hoje".

A última manifestação de opositores ao casamento gay reuniu em 13 de janeiro 340 mil pessoas, de acordo com a polícia, e quase um milhão, segundo os organizadores.

A polícia de Paris informou que "os números definitivos serão comunicados no início da semana". Os organizadores esperam desta vez uma "melhor visibilidade" do "número de participantes" e um "efeito de massa".

Gás lacrimogêneo foi lançado por guardas para "manter os manifestantes", que tentavam ter acesso ao Champs-Elysées, um perímetro "interditado" aos organizadores da manifestação.

"Entre 100 e 200 pessoas tentaram forçar uma barreira policial para entrar nos Champs-Elysées", explicou um porta-voz da polícia à AFP.

"Queremos emprego, não casamento gay"

O presidente da UMP, Jean-François Copé, presente na manifestação, pediu que "François Hollande preste contas" após famílias terem sido vítimas de gás lacrimogêneo. Líderes da Frente Nacional (extrema-direita) também estavam presentes.

Telões foram instalados do Arco da Defesa até o Arco do Triunfo. Faixas foram penduradas nas varandas: "Não toquem em minha filiação", "Queremos emprego, não casamento gay" ou ainda "Não ao gay-extremismo". "Não desistiremos", assegurou Marie, 30 anos. "Viemos defender o fato de que a família composta por um pai e uma mãe é o melhor para as crianças", ressaltou.

Claire, de 35 anos, considerou por sua vez que "os direitos das crianças devem prevalecer sobre os dos adultos, mesmo se a frustração de não poder ter filhos deva ser extremamente difícil". Ela teme que a procriação medicamente assistida seja "a continuação lógica deste projeto de lei". Ou que "significaria a comercialização das crianças", disse.

Durante uma breve coletiva imprensa, Frigide Barjot, uma das principais organizadoras do evento, exortou o presidente Hollande a se concentrar mais nos problemas econômicos do país em vez das famílias: "Queremos que o presidente cuide da economia e deixe a família em paz", declarou.

Os opositores querem pedir a François Hollande que retire o texto para ser submetido a um referendo.

Segundo eles, este projeto, que possibilita o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo, "perturba totalmente a sociedade, negando o parentesco e a filiação natural" e isso teria "consequências econômicas, sociais e étnicas incalculáveis".

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