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Nazismo

Merkel faz visita histórica ao campo de concentração de Dachau

por Deutsche Welle publicado 20/08/2013 17h53, última modificação 20/08/2013 17h55
É a primeira vez que um chanceler da Alemanha visita o local. Iniciativa foi elogiada por organizações judaicas, mas, em plena campanha eleitoral, recebeu críticas da oposição
Guenter Schiffmann / AFP
Merkel

É a primeira vez que um chanceler da Alemanha visita o local. Iniciativa foi elogiada por organizações judaicas, mas, em plena campanha eleitoral, recebeu críticas da oposição

A chanceler federal Angela Merkel se tornou nesta terça-feira (20/08) a primeira chefe de governo da Alemanha a visitar o antigo campo de concentração de Dachau, o primeiro a ser construído pelo regime nazista.

A visita tem como intuito intensificar a posição de Merkel contra radicais de direita na Alemanha e é realizada em plena campanha eleitoral, a quase um mês do pleito de 22 de setembro, quando Merkel tentará seu terceiro mandato.

"A memória do destino dos prisioneiros me preenche com tristeza e vergonha", disse Merkel, em curto discurso durante a visita. "Cada preso do campo de Dachau e outros campos de concentração tinha uma história que foi desviada ou destruída. É importante que isso nunca mais aconteça."

Merkel chegou ao campo no final da tarde. Depois do discurso, ela colocou uma coroa de flores no memorial, visitou seu museu e se encontrou com sobreviventes.

A visita foi acompanhada por Max Mannheimer, ex-prisioneiro e atual presidente do comitê do campo de concentração de Dachau. Aos 93 anos, Mannheimer disse que a decisão da chanceler de visitar o campo foi "histórica" e um "sinal de respeito aos antigos prisioneiros".

Mas enquanto os sobreviventes do Holocausto elogiaram o gesto da chanceler, a oposição criticou o que considerou uma combinação "de mau gosto" de propaganda eleitoral e reparação histórica.

Críticas

A visita de Merkel gerou duras críticas da oposição por acontecer em plena campanha eleitoral. Renate Küsnat, líder do Partido Verde, considerou o ato da chanceler como um "misto de ofensa e mau gosto".

O jornal Sueddeutsche Zeitung observou como os líderes alemães raramente prestam homenagem às vitimas do holocausto em campos de concentração na Alemanha e considerou a visita da chanceler "insensata".

A líder da comunidade judaica de Munique, Charlotte Knobloch, defendeu Merkel, chamando de "admirável" que ela tenha achado tempo para visitar o campo em Dachau.

Para Michael Wolffsohn, historiador da Universidade das Forças Armadas Alemãs, apesar do momento, não há razões para acreditar que a visita de Merkel ao campo esteja relacionada ao seu desejo de reeleição.

"Aparentemente, não há mais um risco [político] em visitar um memorial nazista no ápice de uma campanha eleitoral. A escolha de Merkel é um sinal que a relação dos alemães com sua história está mais moderada", disse o historiador ao jornal Tagesspiegel.

Campo modelo

Aberto pelos nazistas em 1933, apenas algumas semanas depois de Adolf Hitler tomar o poder, o campo de concentração de Dachau era destinado a prisioneiros políticos e foi o primeiro a ser construído na Alemanha, servindo de modelo para todos os outros campos de concentração.

Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 200 mil judeus, gays, oponentes políticos, deficientes e prisioneiros de guerra passaram pelo campo, sendo que mais de 30 mil foram mortos ou executados até abril de 1945, quando as tropas americanas libertaram os prisioneiros de Dachau.

Localizado a 16 km de Munique, na Baviera, o campo de concentração de Dachau é hoje um memorial que atrai anualmente 800 mil visitantes.

Apesar de essa ser a primeira visita de um chanceler a Dachau, Merkel já visitou outros antigos campos de concentração, como o de Buchenwald, ao lado do presidente americano Barack Obama, em abril de 2010.

MAS/afp/dpa

Edição: Rafael Plaisant

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