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Eleições francesas

Merkel considera 'preocupante' votação na extrema direita

por Redação Carta Capital — publicado 23/04/2012 11h15, última modificação 23/04/2012 13h44
Enquanto isso, Hollande e Sarkozy lutam para conquistar eleitores de Marine Le Pen
Merkel

Esse resultado reflete questões locais e a força dos candidatos locais, mais que uma reavaliação nacional -- embora o mero tamanho do estado signifique que Merkel não pode ignorá-lo. Foto: ©AFP / Matej Divizna

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, considera preocupante o bom resultado da extrema direita de Marine Le Pen no primeiro turno da eleição presidencial francesa, declarou em Berlim um porta-voz do governo em uma coletiva de imprensa semanal.

O primeiro turno terminou com a vitória de François Hollande, com 28,6% dos votos, enquanto Nicolas Sarkozy alcançou 27,2% dos votos. Os dois se enfrentam em 6 de maio no segundo turno.

Merkel “segue apoiando” o presidente Nicolas Sarkozy, mas “trabalhará bem” com o presidente a ser eleito em 6 de maio, acrescentou o porta-voz.

Já o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, comemorou a presença no segundo turno da eleição presidencial de “dois candidatos democratas certificados”. “Está bem que ocorra um duelo entre dois candidatos comprometidos com a Europa e com a amizade franco-alemã”, disse.

“A cooperação franco-alemã é uma das chaves para o futuro da Europa. A Alemanha buscará cooperar bem e estreitamente com qualquer presidente eleito pelo povo francês”, acrescentou.

O Partido Social Democrata alemão (SPD, centro-esquerda) considerou que o socialista François Hollande tem boas chances de se tornar o próximo presidente francês, o que seria “um sinal importante” para o país desviar-se da política de austeridade imposta à Europa.

“Isso daria um sinal importante de que há uma alternativa à política de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy que põem todos os trunfos na austeridade e nada fazem para o crescimento”, declarou o presidente do SPD, Sigmar Gabriel, em comunicado.

Hollande chegou à frente do atual presidente Nicolas Sarkozy no primeiro turno eleitoral, “um grande acontecimento”, segundo Sigmar Gabriel, “mostrando que uma Europa mais justa e social é possível”.

“O SPD cruza os dedos para o segundo turno”, acrescentou, destacando, no entanto, que a “alta votação recebida pela candidata de extrema-direita Marine Le Pen é preocupante”.

Votos da extrema-direita

Hollande e Sarkozy dirigiram-se nesta segunda-feira 23 aos eleitores da extrema-direita, decisivos no segundo turno, após o resultado histórico de Marine Le Pen, terceira colocada com 17,9% dos votos.

"Há eleitores que escolheram este voto por raiva. São estes que eu quero ouvir", disse Hollande, que deve viajar para a Bretanha (oeste) ainda hoje.

"Temos de respeitar o voto dos eleitores, nosso dever é ouvir. Existe este voto de crise que dobrou de uma eleição para outra, é para este voto de crise que devemos dar uma resposta", afirmou Sarkozy, que deve ir a Tours (centro).

Bem colocado nas pesquisas, Hollande tem mantido a sua estratégia de "união", depois de reunir apoio dos candidatos da Esquerda Radical Jean-Luc Mélenchon (11,1%) e Eva Green Joly (2,31%).

Para o segundo turno, as pesquisas BVA e Ipsos apontam 53 a 54% das intenções de votos para Hollande, e seus companheiros insistem que "quatro em cada cinco franceses disseram 'não' para Nicolas Sarkozy".

Mas o candidato socialista continua a ser cauteloso sobre o resultado da eleição. "Estamos confiantes, mas são os franceses que escolhem o seu destino." Ele pode ser o primeiro presidente de esquerda em 17 anos.

Para ter chances de ganhar, Nicolas Sarkozy, abatido pela impopularidade e pela crise, precisa recuperar a maioria absoluta dos eleitores da extrema-direita. Com isso, deve intensificar o discurso de direita desenvolvido já no primeiro turno.

O ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse hoje que a palavra imigração não era um "palavrão". "O discurso de Nicolas Sarkozy sobre imigração consiste em dizer que a França não pode acomodar todos os imigrantes perfeitamente", declarou.

A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, afirmou que realizaria uma reunião no dia 1 de maio para definir seu apoio. Mas seus principais conselheiros disseram que ela provavelmente não recomendará um candidato.

A Frente Nacional quer capitalizar seu sucesso tendo como alvo as eleições legislativas de 10 e 17 de junho. "A batalha da França só começou" e "nada será como antes", ressaltou Le Pen, que conquistou o melhor resultado do partido na história.

Com informações AFP.

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