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Massacre eleva situação da Síria para 'níveis de horror sem precedentes'

por AFP — publicado 30/01/2013 14h30, última modificação 30/01/2013 15h45
O enviado pela paz da ONU à Síria, Lakhdar Brahimi, pediu que o Conselho de Segurança aja com mais pressão

O enviado pela paz da ONU à Síria, Lakhdar Brahimi, pediu nesta terça-feira 29 que o Conselho de Segurança aja para pôr fim aos "níveis de horror sem precedentes" registrados na guerra civil desse país e afirmou que esta nação está sendo destroçada diante dos olhos da comunidade internacional.

"O Conselho não pode simplesmente dizer: 'Estamos divididos, e vamos esperar um momento melhor', eles [os membros do Conselho] devem atacar o problema agora", declarou Brahimi à imprensa depois da reunião.

O emissário das Nações Unidas e da Liga Árabe na Síria, que apresentava um relatório de seus esforços ao Conselho de Segurança da ONU, constatou que não houve "progressos" pela paz.

"Se tivéssemos exercido um pouco mais de pressão (sobre os protagonistas do conflito) talvez houvesse um pouco mais de progresso", considerou.

O conflito "alcançou níveis sem precedentes de horror. A tragédia não tem fim", afirmou Brahimi a respeito das informações de um novo e chocante massacre na cidade de Aleppo.

Cerca de 80 corpos de jovens executados foram encontrados nesta terça-feira em Aleppo.

Na escola Yarmouk, para onde foram levados os cadáveres, Abou Seif, rebelde do Exército Sírio Livre (ESL), afirmou que 78 corpos tinham sido encontrados no rio Qouweiq e que ainda restavam por volta de trinta que o ESL não tinha conseguido retirar do local em razão da presença de atiradores emboscados.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) indicou "", bairro mantidos em poder dos rebeldes.

Os jovens "de cerca de 20 anos foram executados com um tiro na cabeça. Vestidos com roupas comuns, a maioria tinha as mãos atadas", acrescentou o OSDH, uma ONG com sede na Grã-Bretanha que baseia suas informações em uma ampla rede de militantes e médicos na Síria

O regime sírio acusou os islamitas radicais da Frente Al-Nusra de serem os autores das execuções, segundo a agência oficial Sana. "Grupos terroristas da Frente Al-Nusra efetuaram uma operação de execuções coletivas que custou a vida de dezenas de civis sequestrados e que tiveram seus corpos retirados do rio Qouweiq", indicou a agência.

O regime "jogou-os no rio para que chegassem à área sob nosso controle, para que as pessoas acreditassem que fomos nós que os matamos", afirmou Abou Seif. Mas uma autoridade dos serviços de segurança afirmou à AFP que os corpos são de "cidadãos de Boustane al-Kasr que foram sequestrados por grupos terroristas depois de terem sido acusados de serem a favor do regime". O governo identifica os rebeldes como "terroristas".

"Suas famílias tentaram negociar (sua libertação) várias vezes com os grupos terroristas", disse, acrescentando: "Eles foram executados na noite de segunda para terça-feira e seus corpos foram jogados no rio".

Rebeldes e regime trocam acusações por massacres, mas não é possível confirmar as informações por fontes independentes.

Em outras partes do país, os insurgentes avançaram em Deir Ezzor (leste), tomando um posto da inteligência política e de duas pontes sobre o rio Eufrates, na estrada utilizada pelo Exército para a passagem de provisões para a cidade de Hassaké, mais ao norte, indicou o OSDH.

Segundo um registro provisório do OSDH, a violência deixou nesta terça 91 mortos: 38 civis, incluindo seis crianças, 30 soldados e 23 rebeldes.

Países doadores prometem ajuda
Os países que participaram nesta quarta-feira 30, no Kuwait, na conferência de doadores para a Síria se comprometeram a conceder um bilhão de dólares ao país, enquanto a oposição denunciava a falta de rigor da comunidade internacional após o choque provocado pela descoberta, na terça-feira, dos corpos de quase 80 manifestantes executados em Aleppo.

Kuwait e Emirados Árabes Unidos anunciaram uma ajuda de 300 milhões de dólares cada na abertura da conferência, apoiada pela ONU para tentar arrecadar 1,5 bilhão de dólares. A Arábia Saudita seguiu os passos e prometeu outros US$ 300 milhões, segundo uma fonte de um país do Golfo que pediu anonimato.

A Comissão Europeia já havia indicado na terça-feira que anunciaria no Kuwait uma ajuda de 100 milhões de euros (135 milhões de dólares), somados a outros € 100 milhões já liberados por Bruxelas.

O governo dos Estados Unidos também anunciou na terça-feira uma ajuda de 155 milhões dólares para os refugiados, o que eleva a US$ 365 milhões a ajuda humanitária americana aos sírios.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um pedido de arrecadação de 1,5 bilhão de dólares para responder às necessidades humanitárias dos civis sírios.

Quase 60 países participam na conferência apoiada pela ONU, que pretende lançar um grande programa para os quatro milhões de sírios que precisam de ajuda urgente no país.

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