Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Marines que tentaram atropelar brasileira não serão julgados

Internacional

Gianni Carta

Marines que tentaram atropelar brasileira não serão julgados

por Gianni Carta publicado 30/04/2012 17h42, última modificação 01/05/2012 13h36
Diferenças culturais teriam levado oficiais americanos a abusar de prostitutas e diplomata irianiano a acariciar partes íntimas de crianças em Brasília
Antonio Patriota

Antonio Patriota irá interrogar pessoalmente o diplomata acusado iraniano acusado de pedofilia no Brasil. Foto: ©AFP

Diferenças culturais teriam provocado uma tentativa de atropelamento de uma garota de programa brasileira por parte de marines norte-americanos e abusos sexuais perpetrados por um diplomata iraniano em adolescentes numa piscina. Todos os incidentes teriam ocorrido em Brasília. Os marines, parece, animados por altas doses de álcool seriam adeptos de atos de tortura e até estariam dispostos a provocar a morte de mulheres.

Eis, por exemplo, o balanço do atropelamento da bailarina garota de programa Romilda Aparecida Ferreira, em 29 de dezembro: clavícula e costelas quebradas, perfuração pulmonar. Os culpados seriam quatro marines norte-americanos a conduzir numa van garotas de programa contratadas na Apple, popular prostíbulo de luxo de Brasília.

Segundo Dario Pignotti, correspondente na capital brasileira do diário argentino Página12, os marines arremessaram a moça da van em movimento e em seguida tentaram atropelá-la. Romilda foi abandonada desmaiada.

Washington, segundo o advogado brasileiro Antonio Rodrigo Machado, entrevistado pelo correspondente do Página12, não teve a mais escassa intenção de colaborar com as autoridades brasileiras, visto que os marines logo foram enviados para os EUA sem prestar depoimentos em Brasília.

Recebido na terça-feira em Brasília pelo ministro da Defesa Celso Amorim, Leon Panetta, o secretário norte-americano de Defesa, disse estar indignado com a atuação dos marines. O tema, consta, tornou-se mais importante do que acordos militares entre Brasília e Washington na pauta da agenda.

Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, voltará ao tema em encontro com a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton.

Patriota eventualmente também interrogará pessoalmente Hekmatollah Ghorbani, o diplomata iraniano que, entre mergulhos na piscina da capital brasileira, teria acariciado as partes íntimas de meninos e meninas. O porta-voz da Embaixada do Irã, Ramin Mehmanparast, alegou que as denúncias “infundadas” não passavam de um “mal-entendido”.

E tudo, claro, seria resultado de “diferenças culturais”. Ah, essas diferenças culturais.

O choque diplomático entre Brasil e o Irã é grave, mas apesar de Patriota agir com veemência o caso não vai dar em nada. O diplomata iraniano, mesmo se seus supostos atos de pedofilia forem provados, goza de imunidade penal, civil e administrativa.

Por sua vez, Washington deu a entender que o comportamento dos marines entrou nos eixos, pois um manual com novas regras de conduta será estabelecido.

Mas como disse o advogado Rodrigo Machado para o diário Página12, a conduta dos marines “é regra, não exceção”. Portaram-se de forma parecida na Colômbia, na recente Cúpula das Américas, e em El Salvador. Nestes dois países parece que não tentaram atropelar ninguém. No entanto, se fosse provado que houve uma tentativa para matar Romilda, em Brasília, fica uma pergunta: uma significativa parte desse marines fariam parte de um bando de bárbaros? Atrocidades cometidas por vários deles e delas foram documentados no Afeganistão e no Iraque. Uma certeza é que os marines jamais serão julgados no Brasil. E nem o diplomata iraniano.

registrado em: ,