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Mantega defende representante de emergentes entre candidatos a chefiar FMI

por Agência Brasil publicado 01/06/2011 18h19, última modificação 01/06/2011 18h21
Para o Ministro da Fazenda, com o equilíbrio maior entre os países avançados e emergentes, a escolha do dirigente deve ser por mérito e não nacionalidade

Por Daniel Lima*

Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quarta-feira 1 a importância de um dos candidatos à direção do Fundo Monetário Internacional (FMI) ser de um país emergente. Após receber, na última segunda-feira 30, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, que tem apoio dos países europeus ao cargo, Mantega teve a visita, em Brasília, do candidato mexicano, Agustin Carstens, que também é presidente do Banco Central do México, país emergente como o Brasil.

A mudança na atual direção do fundo só deveria ocorrer no final de 2012, mas o diretor-gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, renunciou, após ser acusado de agressão sexual a uma camareira de hotel nos Estados Unidos.

“Isso [a candidatura de um emergente] rompe uma regra antiga do FMI, que vem sendo dirigido só por representantes europeus. É uma regra estabelecida depois da 2ª Guerra Mundial, quando o continente [Europa] tinha um peso na economia mundial muito maior”, disse Mantega.

Segundo o ministro, o cenário político e econômico mundial mudou e, atualmente, existe um equilíbrio maior entre os países avançados e emergentes. Mantega, porém, continua defendendo que a escolha do dirigente do fundo se dê mais pelo mérito do candidato e não pela sua nacionalidade.

“Não é porque nasceu na Europa ou nasceu nos Estados Unidos que o candidato tem condições de ser o melhor presidente.” Para o governo brasileiro, o mais importante é que o candidato tenha qualificação técnica e experiência. Outra condição é que o candidato esteja comprometido com a continuação da reformas no FMI. Para Mantega, o fundo mudou muito nos últimos anos, ao deixar de ser uma “instituição que só fiscalizava os países em desenvolvimento”.

“O que tem acontecido, nos últimos anos, é que os emergentes tiveram um desempenho melhor que os avançados, inclusive com mais seriedade fiscal e com taxas de crescimento maior”, avaliou. Ele voltou a reafirmar que os emergentes levaram os demais países à crise de 2008 e não os emergentes.

Mantega criticou, ainda, o fato dos países emergentes serem pouco representados na direção do FMI, principalmente os países latino-americanos. Ele lembrou que o fundo tem 24 chefias de departamento e nenhuma é ocupada por brasileiro ou mexicano, por exemplo. “Nós pleiteamos uma representação maior, uma presença maior, nas diretorias do FMI. E também na vice-presidência”.

Na presença do mexicano, no entanto, Mantega disse que, até agora, o Brasil não tem uma posição a respeito da melhor candidatura. “Estamos avaliando as candidaturas e é importante que Agustin [Carstens] tenha vindo para apresentar as suas propostas”.

Carstens informou que veio ao Brasil para mostrar que os pontos de vista apresentados pelo ministro Guido Mantega são coincidentes com a proposta mexicana. Ele reconheceu a importância do Brasil no processo de reformas do FMI. Segundo o presidente do BC mexicano, o Brasil tem sido um verdadeiro líder ao propor mudanças no âmbito do fundo e das finanças internacionais.

Como candidato, ele disse que o México compreende o peso dos emergentes e a boa administração política e econômicas desses países. “Que países como o México, Brasil, a China e África do Sul tenham uma voz mais forte, no sentido de influenciar as políticas dentro do Fundo Monetário Internacional”, defendeu Carstens. Para ele, é importante que os membros do fundo tenham uma mente aberta para aceitar a candidatura mexicana.

*Publicado originalmente em Agência Brasil.

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