Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Manifestantes tomam as ruas de Madri contra medidas de austeridade

Internacional

Crise mundial

Manifestantes tomam as ruas de Madri contra medidas de austeridade

por Redação Carta Capital — publicado 25/09/2012 18h54, última modificação 06/06/2015 18h41
Indignados também denunciam o “sequestro da democracia” no país, sujeito aos mercados financeiros

Milhares de pessoas tomaram as ruas de Madrid nesta terça-feira 25 em protesto contra as medidas de austeridade do governo Mariano Rajoy. Aglomerados ao redor do Congresso, os manifestantes criticavam aos gritos a subserviência do país aos mercados financeiros e o “sequestro da democracia”.

As autoridades mobilizaram policiais para tentar conter o protesto com bloqueios no entorno do Congresso. Houve confronto. Os manifestantes tentaram romper as barreiras e foram recebidos com golpes de cassetetes e balas de borracha. Segundo a mídia espanhola, ao menos 20 pessoas foram detidas e 13 ficaram feridas.

"Mãos ao ar, isto é um assalto", gritava a multidão diante dos policiais e as barreiras.

Os manifestantes também bradavam palavras de ordem contra a política de austeridade do governo conservador e seguravam cartazes com os lemas: "Não aos privilégios políticos" e "Democracia econômica".

A manifestação, assim como as realizadas há cerca de um ano, foi convocada por diversas organizações e movimentos de indignados por meio das redes sociais. "Eles roubaram nossa democracia. Nós perdemos a liberdade, o nosso Estado social, com os cortes na saúde e na educação”, disse Soledad Nunez, uma comerciante de 53 anos, em entrevista à agência de notícias AFP. “Tenho duas filhas e este ano eu tive que pagar muito mais por seus estudos."

Ela carregava dois cravos vermelhos e um cartaz com as palavras: "Você realmente acha que cruzando os braços vai resolver alguma coisa?" "Se não há consumo, não posso vender", acrescenta, contando que os clientes são cada vez mais raros em sua loja devido às medidas de austeridade que minam o poder de compra dos espanhóis.

"A democracia foi sequestrada. Em 25 de setembro vamos salvá-la", declara o manifesto de uma das organizações que convocou o protesto em seu site, Coordinadora #25S.


Espanha enfrenta uma intensa crise e analistas acreditam que esteja próxima de necessitar um novo pacote de resgate. A província de Andalúcia, por exemplo, analisa a solicitação de uma linha de credito emergencial de 4,9 bilhões de euros ao governo central. Já Catalunha, Valencia e Murcia manifestaram que irão pedir ajuda.

Há a preocupação por parte dos líderes europeus de que o país precise de um resgate maior que os 100 bilhões de euros solicitados para salvar os bancos em junho. Por este plano, a Espanha deve reduzir seu déficit público para 6,3% do PIB neste ano e 4% em 2012. Para chegar a essa meta, cortes em gastos com saúde, educação e programas sociais foram adotados.

Com cerca de 25% de sua população desempregada e uma queda de 0,4% no PIB no segundo trimestre deste ano, o país ainda enfrenta dificuldades de se financiar no mercado com os juros de sua dívida pública atingindo juros cada vez mais elevados.

Orçamento

O governo apresentará na quinta-feira 27 seu orçamento para 2013, além de um novo plano de reformas. Este passo é visto por analistas como a penúltima etapa antes da solicitação de à Zona Euro de resgate financeiro.

Na sexta-feira 28, as auditorias independentes vão publicar quanto será necessário dos 100 bilhões de euros prometidos pela Zona Euro para salvar o setor bancário do país. Madri afirma que 60 bilhões serão suficientes.

A quarta economia da Zona Euro terá então todos os dados em mãos para solicitar um resgate mais amplo, ativando desse modo o novo mecanismo de compra ilimitada de obrigações de dívida de curto prazo dos Estados por parte do Banco Central Europeu (BCE).

Os mercados e muitos dos sócios da Espanha têm pressionado para que o governo de Rajoy formule logo a demanda. O primeiro-ministro também prevê avançar no orçamento de 2013 para além das grandes linhas conhecidas desde julho: o projeto a ser aprovado no Conselho de Ministros tentará economizar 39 bilhões de euros.

O Executivo continua assim com seu plano de austeridade, que deve aportar às contas públicas mais de 150 bilhões de euros entre 2012 (62 bilhões), 2013 e 2014 (50 bilhões).

O projeto de orçamento leva em conta os efeitos da alta do IVA e de outros impostos, com os quais prevê arrecadar 15 bilhões de euros. Outros 7 bilhões devem chegar de cortes nas regiões, que gerem seus orçamentos de saúde e educação.

O restante virá da redução das prestações por desemprego e ajudas sociais, assim como o congelamento das contratações no setor público.

Na quinta-feira também será apresentado um novo pacote de reformas, negociado com Bruxelas para estimular a atividade das empresas e as exportações e esse anúncio "poderá constituir o primeiro passo à solicitação de resgate", segundo a corretora Renta4.

Caso o país continue sem convencer, a sanção pode chegar em breve. A Moody's tem até o domingo para tomar uma decisão e poderá reduzir a dívida da Espanha à categoria especulativa.

A indefinição de Madri para pedir um resgate é de alto risco e "pode chegar um momento no qual o custo da demora será maior que o custo de qualquer uma das decisões tomadas", disse na segunda-feira o comissário europeu de Competitividade, Joaquín Almunia.

Com informações AFP.

Leia mais em AFP Movel.

registrado em: ,