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Síria

Manifestantes protestam contra governo

por Redação Carta Capital — publicado 27/12/2011 15h22, última modificação 27/12/2011 15h39
Após chegada de observadores da Liga Árabe ao país, entre 30 e 70 mil pessoas saíram às ruas da cidade de Homs em ato contra regime do presidente Bashar al-Assad
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Após chegada de observadores da Liga Árabe ao país, entre 30 e 70 mil pessoas saíram às ruas da cidade de Homs em ato contra regime do presidente Bashar al-Assad. Foto: AFP

Com a chegada de observadores da Liga Árabe à Síria, milhares de pessoas participaram nesta terça-feira 27 de uma manifestação contra o regime do presidente Bashar al-Assad. A movimentação ocorreu em Jalidiya, um dos bairros de "rebeldes" da cidade de Homs, mas o número de participantes é desencontrado e varia de 30 mil a 70 mil pessoas.

A manifestação foi organizada por militantes para "denunciar os crimes do regime" contra a população, de maneira paralela à visita da delegação de observadores, informou o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG com sede em Londres.

No momento em que a missão da Liga está na cidade síria, muitos manifestantes seguem para o local do protesto vindos dos bairros de Hamra e Al-Qusur. Outra manifestação importante foi organizada depois das orações do meio-dia no bairro rebelde de Bab Dreib, assim como no bairro de Jab al-Jandali.

"A delegação de observadores entrou no bairro de Baba Amro acompanhada por pessoas do governo, mas não se reuniu com moradores do bairro", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. "No bairro de Kafar Aya, perto de Baba Amro, os agentes de segurança abriram fogo contra os habitantes que participavam de funerais", completou.

A agência oficial Sana anunciou nesta terça-feira que um "grupo terrorista" sabotou um gasoduto na província de Homs.

Observadores

Os observadores da Liga Árabe na Síria se reuniram nesta terça-feira 27 com o governador do estado de Homs, reduto da oposição ao regime do presidente Bashar al-Assad, informou um canal de televisão privado. A missão atendeu aos pedidos de organizações internacionais para seguir diretamente para a região, que sofre ataques constantes das tropas do governo.

“A delegação de observadores da Liga Árabe iniciou a reunião com o governador de Homs, Ghasan Abdel Al”, anunciou o canal Dunia, pouco depois do general sudanês Mohamed Ahmed Mustafah al-Dabi, chefe da missão da Liga no país, ter revelado à AFP que observadores da organização estavam a caminho da área.

A cidade de Homs, capital do estado, enfrentou na segunda-feira 27 uma ofensiva militar que resultou na morte de ao menos 15 pessoas e deixou centenas de feridos. Poucas horas antes da chegada da missão internacional,  as tropas do governo tentaram assumir o controle do bairro de Baba Amro.

“A situação é alarmante e o bombardeio é mais intenso que nos três últimos dias”, afirmou o OSDH.

Segundo a oposição, a maioria das mortes é causada pela repressão promovida pelo governo, para quem os distúrbios no país são causados por “terroristas armados” financiados no exterior.

Ataques

Na sexta-feira 23, mais de 30 pessoas morreram na explosão de dois carros-bomba na capital Damasco. A tevê estatal informou que supostos militantes da Al Qaeda atiraram em bases de um edifício das forças de segurança sírias, mas ativistas da oposição alegam que os atentados foram realizados por aliados do governo para influenciar a opinião dos observadores internacionais.

Uma primeira delegação com cerca de 50 analistas civis e militares árabes desembarcou no país na segunda-feira 26. A missão integra um plano de saída da crise proposto pela Liga Árabe, que prevê o fim da violência, a libertação dos detentos, a saída das Forças Armadas das cidades e a livre circulação dos observadores e da imprensa por todo o país.

Os enviados vão se separar em grupos menores e, segundo o acordo, estão livres para visitarem qualquer lugar do país para analisar a situação. Os observadores, que eventualmente devem chegar a 200, planejam se reunir com oficiais do governo e da oposição.

A Síria aceitou oficialmente o plano em 2 de novembro, mas manteve a violenta repressão à revolta iniciada em março. Segundo a ONU, cerca de 5 mil pessoas morreram em decorrência dos confrontos no país.

Com informações AFP e Agência Brasil.

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