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Mangá japonês escrito em 1988 previu acidente nuclear em Fukushima

por Opera Mundi — publicado 27/04/2011 09h47, última modificação 27/04/2011 09h47
História antinuclear foi inspirado na tragédia de Cherlobyl, que aconteceu cinco anos antes da sua publicação

Por Thaís Romanelli, do Opera Mundi

Vinte e três anos antes do maior acidente nuclear no Japão, que aconteceu em março na usina de Fukushima, a desenhista Ryoko Yamagishi já previa o desastre. Em um mangá - histórias em quadrinhos feitas no estilo japonês - preto e branco de 46 páginas, a autora relatou a chegada de uma grande crise nuclear no país.

Com o nome de Phaethon, que na mitologia grega é o filho de Helios - deus do sol - que colocou a terra em perigo, o mangá antinuclear foi inspirado na tragédia de Cherlobyl, que aconteceu cinco anos antes da publicação, segundo Yamagishi.

Em entrevista ao jornal El Pais, a autora contou que depois do acidente nuclear na Ucrânia ela ganhou dimensão do que realmente significava a energia nuclear. Questionada sobre a relação com Fukushima, Yamagishi afirmou que realmente já havia pensado sobre o risco de ocorrer um acidente na região quando escreveu o mangá, mas que nenhuma autoridade assumiria a possibilidade.

"Quando realmente aconteceu o acidente eu entrei em pânico, mas pensei que a advertência do meu desenho não serviu para nada. Fiquei muito triste", disse.

Entretanto, após o terremoto e o tsunami que atingiram a região e provocaram o acidente nuclear seu mangá foi lembrado imediatamente. De acordo com Yamagishi, em 1988, quando a história foi escrita, 70 mil cópias do mangá foram vendidas. Após o acidente, porém, mais de 200 mil pessoas já leram o conto que agora está disponibilizado na internet.

Sobre a política energética japonesa, a autora do mangá que adiantou a tragéria alerta: "os reatores nucleares deveriam ser fechados um a um desde já e substituídos por mecanismos de energia solar, hidráulica e geotérmica".

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