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Manada de elefantes

por Redação Carta Capital — publicado 28/03/2013 15h11, última modificação 28/03/2013 15h11
Os passos do grupo são lentos, mas poderosos. Será cada vez mais difícil fazer de conta que não existe
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Tijolões. Pouco a pouco, se constrói a alternativa a Bretton Woods. Foto: Alexander Joe/AFP

A imprensa dos países ricos prefere apontar que o banco de investimentos comum não foi imediatamente concretizado e se convencer de que os BRICS “latem, mas não mordem”, como escreveu a agência Reuters, mas, para um grupo de países que em 2001 só tinham em comum o fato de terem sido incluídos em um mesmo relatório de uma instituição de Wall Street, os resultados de menos de quatro anos de existência formal não são insignificantes.

 

 

Os cinco países aprovaram um acordo de contingenciamento comum de reservas de 100 bilhões de dólares para enfrentar eventuais crises de liquidez e manter o comércio em funcionamento no caso de dificuldades financeiras em qualquer dos membros. Além disso, assinaram acordos bilaterais de troca de moedas (swap) – entre o Brasil e a China, por exemplo, chega à soma de 30 bilhões de dólares, o equivalente a nove meses de comércio mútuo. São passos para a construção de um sistema financeiro paralelo ao criado há 65 anos em Bretton Woods e para dispensar o dólar, cada vez mais sujeito aos caprichos imprevisíveis do sistema político de Washington, e o FMI, cujos recursos e atenção estão hoje voltados apenas para a Europa (sem, por isso, conseguir dar resposta a seus problemas).

Economistas chineses propuseram também uma zona de livre comércio, que consolidaria o grupo e seria uma resposta à proposta do acordo análogo entre EUA e União Europeia. Rússia e África do Sul articularam um cartel de metais preciosos e os países em seu conjunto destacaram seu papel já dominante no comércio e investimentos na África.

O banco comum, alternativa ao Banco Mundial, progride. Satisfeitos com os resultados do estudo de viabilidade decidido em 2012, em Nova Délhi, os integrantes iniciaram negociações formais sobre capital (no mínimo 50 bilhões de dólares), participações e localização. Segundo diplomatas brasileiros, poderia funcionar em 2016. Convém lembrar que o Banco Mundial, criado ante a situação bem mais emergencial, do fim da Segunda Guerra Mundial, levou um ano e meio da decisão à fundação formal e outro tanto para aprovar o primeiro financiamento.

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