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Maioria dos brasileiros tem dupla nacionalidade e não quer deixar a Síria

por Agência Brasil publicado 20/07/2012 13h59, última modificação 06/06/2015 16h55
Informação é do ministro Antonio Patriota, que pede cessar-fogo imediato no país
Patriota

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Foto: Agência Brasil

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta sexta-feira 20 que poucos brasileiros entre os cerca de 3 mil que vivem na Síria querem deixar o país. “A maioria tem pequenos negócios, construiu sua vida na Síria e não tem a intenção de partir”, disse, ao acrescentar que eles têm dupla nacionalidade.

Até a véspera, o Ministério das Relações Exteriores mantinha um plano de retirada dos brasileiros da capital síria, Damasco, por via terrestre. Há uma estrada considerada de qualidade que interliga a cidade a Beirute, no Líbano. No entanto, depois de consultas verificou-se que a maior parte dos brasileiros era contrária à saída da Síria.

O chanceler acrescentou que os brasileiros interessados em deixar o país terão apoio do governo do Brasil. “Os que pedirem apoio para partir, nós daremos. Mas tem sido um número relativamente pequeno”, disse Patriota.

O ministro ressaltou também que conversou com o embaixador do Brasil na Síria, Edgard Casciano, e que ele e os funcionários que deixaram o país chegaram “bem” a Beirute nesta manhã. “Estamos zelando pela segurança do embaixador e dos funcionários”, destacou ele. “A capital Damasco está enfrentando cada vez mais violência nas ruas, inclusive na zona onde fica a Embaixada do Brasil.”

Cessar-fogo

Em meio ao agravamento da violência, Patriota, reiterou que há uma situação de alerta. Segundo o ministro, o acirramento da situação na região provoca uma sensação de imprevisibilidade e a única solução no momento é um cessar-fogo imediato.

“A primeira prioridade agora é um cessar-fogo. É o fim da violência”, disse Patriota, ressaltando que o emissário da Organização das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, criou um “grupo de ação” na tentativa de conter a violência na região e executar o plano de paz. O chanceler se disse confiante na possibilidade de ser aprovada ainda hoje a manutenção dos observadores estrangeiros em território sírio.

O chanceler lembrou que o acirramento da crise foi provocado pelo ataque de um homem-bomba há dois dias que causou a morte de 26 pessoas, inclusive dos ministros da Defesa, Daoud Rajha, e do Interior, Assef Shawkat, cunhado do presidente sírio, Bashar Al Assad. Só ontem (19), Organizações não governamentais indicam que 300 pessoas morreram na região.

“[Há] um alerta. A situação está se deteriorando, há um grau elevado de imprevisibilidade sobre o que vai ocorrer nos próximos dias”, disse Patriota. “Evitar viagens à Síria seria o mais prudente a não ser que haja uma razão humanitária de doença ou alguma coisa nesse sentido”, acrescentou.

 

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*Matéria originalmente publicada na Agência Brasil

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