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Má memória de Blair

por Gianni Carta publicado 17/09/2010 01h56, última modificação 25/10/2011 13h37
Em A Journey, ex-premier britânico defende as guerras no Oriente Médio, elogia o amigo George e desqualifica Gordon Brown
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Condecorado por Clinton, criticado por Mandela, Blair é alvo de manifestação que o acusam

Em A Journey, ex-premier britânico defende as guerras no  Oriente Médio, elogia o amigo George e desqualifica  Gordon Brown

Para alguns, ele é tido como um defensor da liberdade. Para outros, o ex-premier Tony Blair fomentou a violência que reverbera mundo afora desde a invasão do Iraque. Enquanto, na segunda-feira 13, na Filadélfia, o inglês recebia das mãos de Bill Clinton a Medalha da Liberdade, uma biografia sobre Nelson Mandela lançada em Londres revelava a fúria do estadista sul-africano contra a decisão do então premier de invadir o Iraque, em 2003.

No Centro Nacional da Constituição, instituto que anualmente premia indivíduos responsáveis por ações com o intuito de promover a liberdade mundo afora, Blair declarou: “A liberdade não é adquirida por acaso. É ganha pela diligência”. Na biografia de Mandela, o autor, Peter Hain, ministro de Blair quando da invasão do Iraque, narra um telefonema oficial no qual o líder da luta contra o apartheid lhe disse: “É um enorme erro, Peter, um enorme erro. Ele está errado. Por que Tony está fazendo isso, depois de todo o seu apoio à África? Isto causará um enorme dano em nível internacional”.

Ovacionado no Centro da Filadélfia, presidido por Clinton, e criticado por Mandela, Tony Blair, premier britânico de 1997 a 2007, já vinha dividindo plateias com o recente lançamento de suas memórias. Em A Journey, um tijolaço de 848 páginas, Blair diz não se arrepender de ter invadido o Iraque e derrubado Saddam Hussein. Elogia o “íntegro” e “corajoso” George W. Bush e fala mal de Gordon Brown, que estava fadado a ser um “desastre” ao substituí-lo como premier do Partido Trabalhista. Conta que detectou um furo nos  sapatos da Rainha Elizabeth II em visita a um de seus castelos, põe panos quentes nos escândalos sexuais de amigos como Bill Clinton e admite que a pressão do cargo de premier o fez exagerar na bebida.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 614, já nas bancas.

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