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Livre, mas estigmatizada

por Gianni Carta publicado 04/10/2011 17h36, última modificação 06/06/2015 18h15
Suspeita de matar jovem durante orgia, Amanda Knox foi colocada em liberdade em 1º de novembro, 'mas a verdade permanece fugidia'

Amanda Knox chega na sua natal Seattle, nos EUA, como uma mulher livre. A jovem de 24 anos, e seu ex-namorado Rafaelle Sollecito, de 27, passaram quatro anos atrás das grades em Perugia, na Itália. Motivo: teriam assassinado Meredith Kercher, em 2007, estudante britânica então com 21 anos de idade, com uma facada no pescoço.

Outro preso, de um total de quatro, responde por Rudy Hermann Guede. Nascido na Costa do Marfim, hoje com 24 anos, seu DNA permeia a faca encontrada na cozinha da casa de Knox e Kercher. Dos quatro condenados, Guedes é o único ainda preso. Condenado a 30 anos de cárcere em 2008, sua pena foi reduzida para 16 anos após um recurso.

No entanto, a Justiça italiana reverteu na segunda-feira 3, a condenação de, a partir de 2009, 26 e 25 anos de prisão para Knox e Sollecito. Isso porque a defesa argumentou que a principal prova contra Knox e Sollecito – a faca com mostra de DNA encontrada na cozinha da cena do crime –, é inválida.

Mais: a amostra de DNA não foi recolhida conforme recomendações internacionais.

No início, a história foi descrita pela promotoria como uma orgia brutal que terminou em tragédia. No início de novembro de 2007, foram presos Knox, Sollecito e Patrick Lumumba Diya. Originário do ex-Zaire, Lumumba, de 38 anos era administrador de um pub. Knox fez declarações contra Lumumba. Contudo, um acadêmico suíço confirmou que foi atendido no pub por Lumumba no dia 1 de novembro, quando Kercher foi degolada. Lumumba foi posto em liberdade.

Knox e Kercher, em programas de intercâmbio na Universidade de Perugia, dividiam uma casa. O corpo de Kercher foi encontrado no dia 2 de novembro.

A partir de então, a vida tranquila de uma cidade universitária de província mudou drasticamente. Visto que o caso envolvia pessoas de diferentes nacionalidades, o caso atraiu as mídias do Reino Unido, Estados Unidos e Itália.

O foco das atenções passou a ser Knox. A bonita norte-americana, aluna de Universidade de Washington, passou a ser descrita como uma moça de dupla personalidade. “Bruxa” e, ao mesmo tempo, “angelical”.

O quadro piorou para Knox quando seu ex-namorado escreveu ao pai: “A única coisa que ela busca é o prazer”. Hedonista, gritou em uníssono a mídia populista. Jornalistas italianos logo descobriram os vários affairs que Knox teria tido em Perugia. Mais: Knox, além de colecionar homens, incluindo Sollecito, com o qual teve um caso de apenas duas semanas, se drogava e tomava todas em festas mil.

Ademais, Knox demonstrou, ao menos para os habitantes de Perugia, um comportamento bizarro. Após ter sido acusada pela morte de Kercher, imagens da jovem norte-americana beijando seu namorado italiano, também ele então suposto assassino na suposta orgia, rodaram o mundo.

Na delegacia, a atlética Knox fez estrelas.

Agora livre, eis uma pergunta pertinente: qual o futuro de Amanda Fox?

A família Kercher recorrerá da decisão à Suprema Corte. Ou seja, há chances, mesmo mínimas, de que Knox possa ser extraditada dos EUA para a Itália no futuro. Isso, claro, se a Justiça italiana reverter, mais uma vez, a decisão e confirmar, mais uma vez, a condenação de Knox e Sollecito.

Por ora, Rudy Guede, da Costa do Marfim, seria o único responsável pela morte da jovem Kercher. Ele passará, vale recapitular, 16 anos no cárcere. Em seu depoimento, concedido no dia 6 de dezembro de 2007, Guede disse que no dia 1 de novembro de 2007  teve uma relação sexual com Kercher, foi ao banheiro e escutou um grito. Deparou-se com duas pessoas que deixavam o quarto, um homem e uma mulher. Mas não conseguiu identificá-las. Tentou ajudar Kercher, mas, assustado, fugiu.

O que aconteceu em Perugia naquele 1º de novembro permanece um quadro vago.  Como disse o enviado para Perugia da rede de tevê norte-americana CNN, Amanda Knox foi libertada “mas a verdade permanece fugidia”. E embora livre, a imagem de Amanda Knox está estigmatizada.

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