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Liga Árabe dá prazo de três dias para fim da repressão na Síria

por AFP — publicado 17/11/2011 09h01, última modificação 17/11/2011 09h01
Se Damasco não aceitar cooperar com a Liga, serão adotadas sanções econômicas contra o país
O primeiro-ministro e chanceler do Qatar, Hamad ben, após encontro da Liga Árabe. Foto: Abdelhak Senna/AFP

O primeiro-ministro e chanceler do Qatar, Hamad ben, após encontro da Liga Árabe. Foto: Abdelhak Senna/AFP

RABAT (AFP) - A Liga Árabe deu um prazo de três dias à Síria para pôr fim à repressão na revolta contra o regime, sob a ameaça de sofrer "sanções econômicas", declarou nesta quarta-feira 16, em Rabat, o primeiro-ministro e chanceler do Qatar, Hamad ben Jasem.

A Liga Árabe "dá três dias ao governo sírio para deter a sangrenta repressão" contra a população civil, "mas se Damasco não aceitar cooperar com a Liga, serão adotadas sanções econômicas contra a Síria", declarou Ben Jasem em entrevista coletiva, depois do encontro da organização em Rabat.

Destacando que a paciência dos países árabes se esgotou, Ben Jasem acrescentou: "não quero falar de última oportunidade (para o regime sírio) para que não pensem que se trata de um ultimato, mas estamos quase no fim do caminho".

O dirigente pediu ainda a Damasco que permita o envio ao país de uma missão de observadores da Liga Árabe.

Antes da reunião, Turquia e a Liga Árabe defenderam "medidas urgentes para proteger os civis" da repressão do regime sírio, mas afirmaram sua "oposição a qualquer intervenção estrangeira na Síria".

Os ministros já haviam concordado em retirar os embaixadores de Damasco, impor sanções políticas e econômicas e em conversar com grupos de oposição sobre a visão deles para uma Síria pós-Assad, durante uma reunião no Cairo

O plano de paz proposto pela Liga Árabe pede a proteção de civis, a retirada de tropas de cidades e aldeias onde os enfrentamentos têm ocorrido, a libertação dos que foram presos durante os protestos e o começo de negociações com a oposição.

No território sírio, militares desertores atacaram uma base da inteligência da Força Aérea nesta quarta-feira, em uma das mais ousadas ações em oito meses de conflito.

O ataque no começo da manhã à base de inteligência da Força Aérea próxima a Damasco está entre os mais espetaculares realizados pelo crescente número de desertores das forças armadas de Assad, que recusaram ordens de abrir fogo contra manifestantes civis.

O movimento sem precedentes contra o governo de Assad tem sido liderado por manifestantes pacíficos, mas nos últimos meses, os desertores se organizaram no Exército Livre da Síria, que tem causado perdas crescentes às forças armadas regulares.

"O Exército Livre atacou com mísseis e lança-granadas as bases da inteligência da Força Aérea que estão posicionadas na entrada de Damasco", disse o Comitê de Coordenação Local, uma rede ativista, acrescentando havia fumaça vindo dessa área. Não houve declarações imediatas sobre as perdas.

Os ativistas, que ilustraram o duplo ataque em um plano anexado à declaração deles, disseram que os prisioneiros mantidos na divisão da inteligência "estavam bem", mas a operação falhou em garantir a libertação deles.

O Exército Livre da Síria anunciou que estava formando um conselho militar temporário para liderar a luta para derrubar o regime de Assad.

O conselho pretende "derrubar o atual regime, proteger as propriedades públicas e privadas, e os civis sírios da opressão, e evitar o caos e atos de vingança quando o regime cair", segundo um comunicado recebido em Nicósia.

O coronel Riyadh al-Asaad, que desertou do Exército regular para formar o Exército Livre da Síria em julho, irá presidir o conselho.

Em Hama, província que é um dos focos de tensão, forças de segurança mataram três desertores e um civil, na cidade rural de Keferzita, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

"Oito soldados foram mortos e dezenas de outros ficaram feridos na manhã desta quarta-feira, quando os desertores atacaram um posto de controle militar em Keferzita", acrescentou.

Em Homs, outra cidade onde são realizados grandes protestos, quatro civis foram mortos por atiradores vindos de um posto de controle, acrescentou a organização com sede no Reino Unido, que também relatou as mortes de uma pessoa desaparecida e de um civil, que não resistiu aos ferimentos.

Na província de Daraa, ao sul, berço da revolta, as forças de segurança mataram um civil no posto de controle da cidade de Hara, acrescentou o Observatório.

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