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Síria

Liga Árabe cobra execução de acordo

por Redação Carta Capital — publicado 07/11/2011 15h38, última modificação 07/11/2011 16h21
Grupo convoca reunião após forças de Bashar al-Assad massacrarem civis mesmo tendo aceito implementar plano de paz

A Liga Árabe, organização de 22 Estados árabes, convocou uma reunião de emergência para sábado 12 a fim de debater a violência do governo contra civis na Síria. O país havia aceitado oficialmente o plano de paz proposto pelo grupo na quarta-feira 2, que incluia uma saída pacífica para a crise política, a retirada das forças armadas das ruas e a liberação de prisioneiros políticos, mas não implementou o acordo.

No domingo 6, as tropas do presidente Bashar al-Assad mataram ao menos 16 civis em protestos pela democracia na cidade de Homs (a 140 quilômetros da capital Damasco) no primeiro dia do festival muçulmano de Eid al-Adha. Com isso, subiu para 60 o número de civis assassinados desde o anúncio do acordo.

Segundo o diário britânico The Guardian, parte dos mortos estava em um distrito de Homs que tem sofrido ataques constantes de tanques. No momento da ação, segundo agências de notícias internacionais, a população realizava orações matinais. As explosões teriam abalado inclusive as mesquitas.

De acordo com o site da BBC News, as autoridades das forças de segurança alegam estar lutando contra gangues que têm matado civis na cidade.

Reações

No sábado 5, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, afirmou que o fracasso na implementação do plano de paz na Síria teria "consequências catastróficas" para o país e a região. A mesma opinião declarada pelo primeiro-ministro do Qatar, xeque Hamad bin Jassem al-Thani, a rede de tevê árabe Al Jazira. "Se a Síria não respeita seus acordos, o comitê ministerial se reunirá novamente e adotará as medidas necessárias."

A Liga Árabe exerce considerável influência na região e seu afastamento do regime de Muammar Kaddafi foi visto como fundamental para a aprovação da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia. Porém, um caminho semelhante não deve ocorrer na Síria, uma vez que Rússia e China se oporiam à medida no Conselho de Segurança da Onu.

O fracasso em aplicar o plano de paz também gerou comentários fora do Oriente Médio. O ministro do Exterior da França, Alain Juppé, declarou a uma rádio europeia que não há “nada mais a esperar do regime, que apesar de anúncios ocasionais não irá se comprometer com um programa de reformas".

Segundo ele, diferentes ações foram adotadas para tentar levar al-Assad ao diálogo e a última delas evidencia o seu comprometimento com a paz. "Assad aceitou o plano da Liga Árabe e no dia seguinte massacrou mais dezenas de pessoas nas ruas."

A Onu e organizações internacionais de Direitos Humanos estimam que 3 mil civis tenham sido mortos desde o ínicio das revoltas populares em março deste ano.

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