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Líderes mundiais comentam renúncia de Bento XVI

por Redação Carta Capital — publicado 11/02/2013 17h41, última modificação 11/02/2013 17h41
Joseph Ratzinger será o primeiro Papa a deixar o posto nos últimos 600 anos

A renúncia de Bento XVI ao posto de Papa nesta segunda-feira 11 foi comentada por dirigentes políticos e religiosos de todo o mundo. O alemão Joseph Ratzinger anunciou que deixará o pontífice em 28 de fevereiro, se tornando o primeiro a abandonar o comando da Igreja Católica em mais de 600 anos.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel exprimiu seu "grande respeito" pela decisão. "Se o próprio Papa, depois de muita reflexão, chegou à conclusão de que suas forças não são suficientes para exercer sua função, isso é motivo de meu maior respeito", afirmou. "Desejamos sorte e força para sua missão."

Apesar de ser uma decisão quase sem precedentes na Igreja Católica, o Vaticano realizará uma cerimônia de despedida e agradecimento a Ratzinger antes do fim de seu Pontificado. O evento deve reunir milhares de fiéis de todo o mundo "e autoridades de muitos países".

Após deixar o comando da Igreja, o Papa deve viver em um monastério na Itália.

O anúncio de Bento XVI também repercutiu nos Estados Unidos, país de maioria protestante. O presidente Barack Obama expressou seu apreço e ofereceu orações em nome dos americanos. "A Igreja tem um papel decisivo nos EUA e no mundo, e desejo o melhor àqueles que em breve se reunirão para eleger o sucessor de sua Santidade", afirmou, em nota.

O primeiro-ministro britânico David Cameron disse que Ratzinger fará falta como "o chefe espiritual de milhões de pessoas". Já o presidente da França, François Hollande, descreveu a decisão do líder religioso como "eminentemente respeitável".

O chefe de Estado italiano, Giorgio Napolitano, afirmou que o Papa demonstrou "uma coragem e extraordinário sentido de responsabilidade."

O novo arcebispo de Canterbury, Justin Welby, líder espiritual dos anglicanos, declarou estar com o "coração pesado" pelo anúncio da renuncia, mas que a compreendia "totalmente".

Já o Grande Rabino asquenaze de Israel, Yona Metzger, afirmou que Bento XVI melhorou as relações entre o cristianismo e o judaísmo e contribuiu para "uma diminuição dos atos antissemitas no mundo".

A conferência episcopal dos Estados Unidos, por sua vez, considerou a decisão do Papa como uma "nova prova de sua grande entrega à Igreja", ao mesmo tempo que homenageou o guardião das "verdades eternas" como a da vida humana.

"Estamos tristes por sua renúncia, mas fazemos um reconhecimento aos oito anos durante os quais dirigiu (a Igreja católica) com abnegação", escreveu o cardeal Timothy Dolan, presidente da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB), em um comunicado.

O cardeal cubano Jaime Ortega também classificou de "inestimável lição de humildade" e de "coragem" a decisão do Papa.

O líder espiritual dos ortodoxos, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, expressou sua tristeza com o anúncio do Papa, a quem chamou de "amigo da Igreja do Oriente".

A Igreja Ortodoxa russa, por sua vez, afirmou não esperar "mudanças radicais na política do Vaticano ou na atitude para com as Igrejas Ortodoxas". "A Igreja Católica Romana sempre garante a continuidade de sua política durante a sucessão dos pontificados de sucessão", disse um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa, Dmitry Sizonenko.

Reação na Alemanha

Os alemães receberam a notícia com consternação e compreensão, além de críticas isoladas. Políticos e prelados da Alemanha louvaram Bento XVI como importante teólogo, que demonstra coragem e soberania de espírito resignando ao posto.

O presidente federal, Joachim Gauck, lembrou que "um alemão assumir a sucessão de João Paulo II foi de significado histórico para o país". Em Joseph Ratzinger unem-se "alta formação teológica e filosófica com linguagem simples e afabilidade", apontou.

O presidente da Conferência dos Bispos Alemães, Robert Zollitsch, mencionou que o Papa estaria dando "um luminoso exemplo de verdadeira consciência de responsabilidade".

Para Nikolaus Schneider, presidente do conselho da Igreja Luterana da Alemanha, a renúncia é "comovente", por expressar que cargos devem ser exercidos por prazo limitados.

Após a divulgação da decisão, ele também recebeu louvores e reconhecimento das entidades judaicas e islâmicas alemãs. Segundo o Conselho Central dos Judeus, seguindo os passos de seu antecessor, João Paulo II, Bento 16 deu "novos impulsos" à relação judaico-cristã e "a preencheu de cordialidade". Para a associação islâmica DITIB, ele deixou claro que os muçulmanos são uma parte inalienável da Alemanha.

Com informações AFP e Deutsche Welle.