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Líder das Farc é morto

por Redação Carta Capital — publicado 05/11/2011 14h35, última modificação 07/11/2011 12h25
Presidente do país diz que a queda de Alfonso Cano é o “golpe mais contundente” na guerrilha, que realiza ataque de retaliação com um morto
farc

Presidente Juan Manuel Santos diz que a queda de Alfonso Cano em operação militar no Sul do país é o “golpe mais contundente” na guerrilha. Foto: Luis Acosta/AFP

*Atualizado às 13h30 de segunda-feira 7

O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, Guillermo León Sáenz Vargas, conhecido como Alfonso Cano, foi morto por tropas do Exército do país na sexta-feira 4.

Em um discurso na tevê na madrugada de sábado 5, o presidente Juan Manuel Santos disse que a queda de Cano é o “golpe mais contundente” contra a guerrilha e pediu a desmobilização do grupo.

As Farc rejeitaram, porém, o chamado do presidente e prometeram substituir o líder morto. "A paz na Colômbia não nascerá de nenhuma desmobilização guerrilheira, e sim da abolição definitiva das causas que dão origem ao levante", disse o Secretariado do grupo em comunicado divulgado também no sábado.

Um dia após o comunicado, os rebeldes realizaram a primeira ação depois da morte de seu líder. Um ataque com explosivos contra um posto policial vitimou uma pessoa e deixou dois feridos em Piendamó, região onde as tropas do governo colombiano eliminaram Cano.

Segundo o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, o guerrilheiro foi morto em uma operação iniciada há diversos dias no sul da Colômbia, mas materializada apenas na manhã de sexta-feira 4. “Tropas das forças militares iniciaram bombardeios em uma área do departamento de Cauca, onde caíram alguns membros da estrutura de segurança de Cano", declarou em uma coletiva de imprensa.

Após os ataques aéreos, os militares iniciaram um cerco na região, entrando em combate e perseguição ao líder das Farc. A operação teve a participação de 800 a 1 mil soldados, segundo a agência de notícias AFP.

O guerrilheiro assumiu, universitário de classe média de 63 anos, o comando das Farc em 2008, após a morte por causas naturais do fundador do grupo, Manuel Marulanda "Tirofijo". Naquele ano, o exército colombiano eliminou o número dois da organização, Raúl Reyes, em um bombardeio contra seu acampamento no Equador. Em 2010, o governo anunciou a morte de Jorge Briceño, líder militar da guerrilha.

Localização

Poucos dias atrás, as autoridades colombianas acreditavam que Cano estivesse em uma região entre os departamentos de Tolima, Valle e Huila. Porém, o guerrilheiro conseguiu chegar até o acampamento de Cauca em busca de proteção, onde teria sido localizado com a ajuda de interceptações telefônicas.

O governo da Colômbia já havia oferecido quase 4 milhões de dólares (cerca de 7 milhões de reais) como recompensa por informações sobre o paradeiro do líder das Farc, que dias antes da posse de Santos, em 2010, divulgou um vídeo convocando o diálogo para uma saída pacífica ao conflito armado no país.

As Farc, um grupo com 47 anos de luta armada pelo estabelecimento de um governo marxista na Colômbia, contam  atualmente com oito mil combatentes, de acordo com dados do ministério da Defesa. Dez anos antes, calculava-se esse número em 17 mil guerrilheiros.

"A morte de Alfonso Cano irá gerar um impacto simbólico para as Farc, mas, sobretudo, um impacto para as estruturas que conseguiram consolidar após a morte de Tirofijo", declarou à AFP o cientista político Alejo Vargas.

Perfil

Alfonso Cano percorreu um caminho movimentado entre a universidade e a guerrilha no contexto da guerra civil nunca declarada que atingiu a Colômbia.

Nascido em Bogotá, em 1948, chegou ao comando das Farc, a guerrilha mais antiga da América Latina, em 2008. Antes, estudou direito e antropologia na estatal Universidade Nacional.

Filho de uma professora e um engenheiro agrônomo, Cano ascendeu rapidamente no seio das Farc e se tornou o ideólogo político do grupo.

Ingressou nas Farc após militar nos anos 1970 nas juventudes do Partido Comunista, do qual chegou a ser um dos principais dirigentes. Como líder estudantil, foi detido em uma série de protestos na Universidade Nacional.

Nos anos 1980, esteve à frente da criação da União Patriótica, um partido formado como parte das negociações de paz realizadas com o governo do presidente conservador Belisário Betancourt (1982-1986).

Após a ruptura dos diálogos e com o advento de uma campanha na qual mais de 3 mil militantes da União Patriótica foram assassinados, Cano mergulhou de cabeça nas atividades militares das Farc e recebeu a incumbência de dirigir o bloco noroeste na região de Urabá (fronteiriça com o Panamá).

Posteriormente, liderou a delegação da guerrilha nas negociações realizadas em Caracas, em 1991, e em Tlaxcala (México), em 1992, quando sua figura com uma espessa barba e grandes óculos tornou-se familiar.

Com informações BBC Brasil e AFP.

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