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Líder da oposição venezuelana convoca marcha contra Maduro

por Deutsche Welle publicado 17/02/2014 09h49
Leopoldo López, líder da ala radical da oposição, recebe ordem de prisão e convoca venezuelanos a acompanhá-lo até o Ministério do Interior, onde pretende se apresentar à Justiça
Juan Barreto / AFP

Em mensagem de vídeo de três minutos divulgada pelas redes sociais neste domingo 16, o líder oposicionista Leopoldo López elevou ainda mais a tensão na já polarizada Venezuela.

O presidente do partido Vontade Popular convocou os venezuelanos a acompanhá-lo numa marcha até o Ministério do Interior, Justiça e Paz, nesta terça-feira, quando deverá se apresentar perante a Justiça para responder às acusações do governo contra ele.

Após as manifestações contra o governo do presidente Nicolás Maduro, que deixaram três mortos e dezenas de feridos na última semana, López recebeu ordem de prisão por seu envolvimento nos recentes acontecimentos.

"Estarei aí para mostrar a cara. Disseram durante os últimos dias que me querem ver preso, aí estarei para mostrar a cara. Não tenho nada a temer, não cometi nenhum delito. Tenho sido um venezuelano comprometido com o nosso país, com o nosso povo, com a Constituição e com o nosso futuro", declara López na mensagem de vídeo.

Ele disse ainda que o Ministério do Interior se "converteu no símbolo da repressão, da perseguição, das torturas e das mentiras". Economista formado em Harvard, López garantiu que se encontra no país e que não planeja viajar, como afirmaram aliados de Maduro.

Acusação de terrorismo e homicídio
Segundo a imprensa venezuelana, López é acusado dos delitos de "associação, instigação para cometer delito, intimidação pública, incêndio a edifício público, danos a propriedade pública e lesões graves", além de homicídio.

Na madrugada de domingo, militares armados invadiram a residência dele e também a dos seus pais, apresentando a ordem de prisão emitida pelo Ministério Público venezuelano contra o líder oposicionista.

Chamado de "covarde" por Maduro, López anunciou aos seus simpatizantes que levará "requerimentos muito complexos" que visam a "esclarecer a responsabilidade do Estado nos homicídios ocorridos", sublinhando que "aí estão fotos, vídeos, provas irrefutáveis do que aconteceu naquele dia".

Maduro instou López a se entregar às autoridades, acusando-o de haver treinado grupos violentos que vêm agitando as ruas de Caracas desde a quarta-feira passada, quando um protesto da oposição deu início à escalada de violência.

Oposição dividida
No domingo, quinto dia de protestos em Caracas e nas principais cidades do país, a polícia dispersou novamente os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, mas os confrontos não se acirraram como nos dias anteriores.

Os distúrbios causaram inquietude na região e o Departamento de Estado dos EUA disse no sábado estar preocupado com a tensão que acompanha os protestos. Maduro, um ex-sindicalista de 51 anos, afirma que a oposição age com o governo americano para derrubá-lo e expulsou do país três diplomatas dos Estados Unidos neste fim de semana.

As manifestações são a última prova de força entre o governo e a oposição venezuelana, que protesta contra o declínio rápido da qualidade de vida no país produtor de petróleo, em meio a uma crise inflacionária, escassez de produtos e alta criminalidade.

Os protestos expuseram uma fratura dentro da oposição, onde a ala majoritária liderada por Henrique Capriles, que já foi duas vezes candidato à presidência, defende que a violência somente favorece o governo, enquanto outros grupos desejam posições mais radicais.

  • Edição Alexandre Schossler

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