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Líbia: Obama considera “todas as opções”

por Envolverde — publicado 26/02/2011 10h47, última modificação 26/02/2011 10h47
Presidente norte-americano disse preferir agir junto com outras nações e instituições internacionais antes de estudar uma resposta a violência na Líbia. Por Jim Lobe

Presidente norte americano disse preferir agir junto com outras nações e instituições internacionais antes de estudar uma resposta a violência na Líbia
Por Jim Lobe, da IPS*
Washington, Estados Unidos, 25/2/2011 – Enquanto setores oposicionistas se faziam fortes em mais cidades da Líbia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dizia que seu governo estuda “todas as medidas” de resposta à violência nesse Estado produtor de petróleo do Norte da África. Washington prefere agir junto com outras nações e instituições internacionais, disse Obama, em um pronunciamento de cinco minutos na televisão.
“Esta não é uma simples preocupação dos Estados Unidos. O mundo todo está vendo, e vamos coordenar nossas medidas de ajuda e prestação de contas com a comunidade internacional”, afirmou Obama, tendo ao lado a secretária de Estado, Hillary Clinton. Ele também advertiu que seu governo considera ações unilaterais – que não especificou – contra o regime do líder líbio, Muammar Gadafi.
“Pedi ao meu governo que prepare toda uma gama de opções que temos para responder a esta crise”, disse o mandatário. Inclusive “as ações que possamos tomar, aquelas que coordenaremos com nossos aliados e sócios e as que levaremos adiante mediante instituições multilaterais”, acrescentou.
O pronunciamento de quarta-feira, dia 23, foi o primeiro de Obama desde o fim de semana anterior, quando forças governamentais e, segundo algumas notícias, mercenários estrangeiros, lançaram ataques contra manifestantes na cidade portuária de Bengazi e outras. As informações dizem que o controle de Gadafi se reduziu a pouco mais que a capital, Trípoli.
O chanceler Franco Frattini, da Itália, país europeu com laços mais estreitos com sua ex-colônia, disse, também no dia 23, que era verossímil a estimativa de aproximadamente mil mortos pela repressão. Por outro lado, a Federação Internacional de Direitos Humanos afirmou que as vítimas mortais desde o final de semana são, pelo menos, 700.
O filho de Gadafi, Saif al-Islam Gadafi, assegurou em um discurso que foi transmitido pela televisão que a situação voltara à “normalidade”, mas moradores de Trípoli diziam por telefone à imprensa estrangeira que a população da capital permanecia fechada em suas casas com medo de serem atacadas nas ruas pelas tropas e milícias pró-governamentais.
Jornalistas estrangeiros em Bengazi, a segunda cidade do país depois de Trípoli, informam que seus moradores estabeleceram uma autoridade provisória, enquanto Misurata, a terceira maior cidade, a leste da capital, caiu em mãos opositoras. O governo também cedeu posições ao longo da fronteira com a Tunísia, no Oeste, e centenas de pessoas a cruzavam para o país vizinho.
Obama foi criticado por setores de direita e ativistas pelos direitos humanos por seu “silêncio” e sua passividade diante do regime de Gadafi. Seu discurso pareceu ser uma resposta a essas críticas. Sua “maior prioridade” é “fazer todo o possível para proteger” cerca de seis mil “cidadãos norte-americanos” que vivem na Líbia, afirmou.
Fontes governamentais disseram aos jornalistas que um dos motivos da demora de Obama em se pronunciar duramente contra o regime líbio era o temor de que este reagisse fazendo reféns norte-americanos. Alguns analistas disseram que em seu discurso Obama não se referiu a Gadafi pelo nome. Contudo, suas palavras foram as mais duras emitidas até agora por Washington. “O sofrimento e o banho de sangue são atrozes e inaceitáveis”, afirmou.
O presidente sugeriu que Washington estuda a adoção de sanções. “Como todos os governos, o líbio tem a responsabilidade de evitar a violência, permitir que a ajuda humanitária chegue a quem precisa e respeitar os direitos de seu povo. Deve ser responsabilizado por não cumprir essas responsabilidades e deve enfrentar o custo das contínuas violações dos direitos humanos”, disse Obama.
O presidente saudou a resolução adotada no dia 22 pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), condenando a violência e exigindo que seus promotores sejam responsabilizados. “A mesma mensagem foi dada pela União Europeia, Liga Árabe, União Africana, Organização da Conferência Islâmica e muitas outras nações”, enfatizou Obama. De modo implícito, rechaçou as acusações de Gadafi e outros governantes autoritários do Oriente Médio de que os Estados Unidos estão por trás desses levantes populares.
“A mudança na região é conduzida pelos povos da região”, afirmou Obama em referência à derrubada dos governantes da Tunísia e do Egito nas últimas seis semanas e às contínuas manifestações no Bahrein e no Iêmen. “Esta mudança não reflete o trabalho dos Estados Unidos nem de nenhuma outra potência estrangeira. Representa as aspirações do povo que busca uma vida melhor”, ressaltou.
O subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, William Burns, que esteve esta semana no Cairo, seguirá para a Europa e outras cidades do Oriente Médio para “intensificar as consultas” sobre medidas que poderiam ser tomadas contra o regime líbio, disse Obama. O presidente também anunciou que Hillary participará em Genebra de uma reunião de ministros das relações exteriores dos Estados que formam o Conselho de Direitos Humanos da ONU, incluída a Líbia.
Algumas vozes nos Estados Unidos pedem que entre as sanções a serem tomadas contra a Líbia se inclua sua expulsão do Conselho. Também pedem que seja imposta uma zona de exclusão aérea para impedir que aviões do regime bombardeiem as áreas controladas por seus opositores. Outros, sobretudo da direita, reclamam que Washington forneça armas aos rebeldes. Envolverde/IPS
(IPS/Envolverde)
* Matéria originalmente publicada pelo site da Envolverde

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