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'Líbia não é Egito nem Tunísia', diz filho de Kadafi

por Opera Mundi — publicado 21/02/2011 10h28, última modificação 21/02/2011 10h55
Ele acusou os meios de comunicação internacionais de oferecer "balanços imaginários" e aos de seu país de "não haver coberto os eventos para dar a verdade sobre o que aconteceu".

Seif el Islam, filho do ditador líbio, Muammar Kadafi, afirmou neste domingo 20, na televisão estatal que o país está "em uma situação muito difícil" e em risco de "guerra civil". Ele advertiu que "não permitirá o caos" e o Exército "permanece e permanecerá fiel" a seu pai e ao regime. Seif, considerado provável sucessor de Kadafi, anunciou "novas leis e um debate nacional sobre uma nova Constituição que pode ser aberto a partir de amanhã se houver acordo".

"Estamos em uma reviravolta perigosa da história de nosso país, antes que todo o mundo tome as armas e haja uma guerra civil e uma cisão na Líbia, é preciso um debate nacional, com o qual Kadafi está de acordo, para passar a uma segunda república", afirmou.

O filho do líder líbio destacou que há duas opções: "Ou estamos de acordo todos os líbios que queremos a democracia, a liberdade e as reformas e atuamos com a razão, ou será o caos e nos encontraremos em um ciclo de violência pior que no Iraque ou na Iugoslávia".

"Em vez de chorar os 80 mortos destes últimos dias, se o caos chegar, choraremos centenas de milhares de nossos irmãos e seremos obrigados a fugir de nosso país", disse. "A situação é gravíssima, há um plano para a desestabilização da Líbia, que não é Tunísia nem Egito, aqui a situação é diferente, já que a Líbia é composta de tribos e não de partidos políticos e organizações e corremos o risco de uma guerra civil", acrescentou.

Seif também advertiu que a partir dessa guerra civil "poderia haver outra guerra em torno do petróleo, em torno da distribuição dessas riquezas" e os líbios correm "o risco de voltar à época da fome".

"Se não entrarmos em acordo, prepararem-se para ser de novo colonizados pelo Ocidente, já que este não permitirá a criação de um Estado islâmico na Líbia, nem deixará que se exporte o terrorismo, nem que o petróleo fique nas mãos de criminosos", ressaltou.

O filho de Kadafi assegurou que foram roubadas grandes quantidades de armas e munição em várias partes do país e que os criminosos "circulam inclusive a bordo de blindados".

Segundo sua opinião há três grupos responsáveis pelos distúrbios que sacodem o país: "O primeiro é formado por opositores de dentro e de fora. O segundo por organizações islamitas que se armaram e assassinaram as forças de segurança, anunciando na cidade de Al Baida a criação de um Estado Islâmico", segundo disse.

"E o terceiro é integrado por pessoas de todas as classes, entre eles crianças, drogados, foragidos da justiça e inclusive pessoas honestas, que expressam reivindicações legítimas", afirmou.

O filho de Kadafi assinalou que em Benghazi foram registradas 84 mortes e em Al Baida 14 por causa dos distúrbios, reconhecendo que o Exército e as forças de segurança "cometeram erros nos confrontos com os manifestantes, disparando e matando as pessoas".

Mesmo assim, acusou os meios de comunicação internacionais de oferecer "balanços imaginários" e aos de seu país de "não haver coberto os eventos para dar a verdade sobre o que aconteceu".

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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