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Internacional

Líbia

Governo nega tomada da cidade natal de Kadafi

por Opera Mundi — publicado 28/03/2011 10h44, última modificação 28/03/2011 10h46
Correspondentes dos jornais "El País" e "Telegraph" e da agência Reuters na Líbia informaram que Sirte continua sob controle das forças de Kaddafi

Horas após o comando rebelde ter assegurado a tomada da cidade onde nasceu o líbio, Muamar Kadafi, forças governistas convidaram correspondentes de jornais internacionais para entrar em Sirte e comprovar que continua sob das tropas do governo. Mais cedo, os oposicionistas informaram que a cidade de Sirte havia sido atingida pela primeira vez neste domingo (27/03) por bombardeios da coalizão internacional que conduz operações militares no país.
Esse local é considerado reduto das forças de Kadafi, uma de suas fortalezas mais bem resguardadas e crucial para o objetivo dos rebeldes de avançar rumo ao Oeste do país. Nesta segunda-feira (28/03), os correspondentes dos jornais El Pais e Telegraph e da agência Reuters na Líbia informaram que Sirte continua sob controle das forças de Kadafi, que há policiamento nas ruas e poucos sinais de batalha ou da presença de insurgentes.

Sirte está localizada a cerca de 450 quilômetros ao leste de Trípoli. Segundo reportagem da BBC, a capital foi atingida por bombardeios.

Auxiliados pelo poderio aéreo da coalizão, a oposição conquista um número de cidades importantes da Líbia. Segundo relatos, a falta de resistência enfrentada pelos oposicionistas nas cidades conquistadas recentemente pode significar que as forças de Kadafi estejam se reagrupando.

Intervenção

Ontem, a OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte) assumiu as operações militares na Líbia, inclusive o comando dos ataques contra alvos terrestres. Além do operacional aéreo, a organização se encarregará de garantir o cumprimento do embargo de armas que pesa sobre a Líbia com uma missão naval no mar Mediterrâneo.

Nesse domingo, o porta-voz do regime líbio, Ibrahim Moussa, afirmou que a coalizão não segue a resolução da ONU (Organização das Nações Unidas). "Eles tentam enfraquecer nossos espíritos, não proteger civis. Você não precisa destruir a Líbia, matando de fome a população, para proteger os civis de Benghazi", disse ele. "Acreditamos que o prosseguimento dos bombardeios é um plano para colocar o governo líbio em uma posição fraca para negociações."

De acordo com relatos feitos ao correspondente da BBC na Líbia, os oposicionistas avançam em direção ao Oeste do país, depois de terem retomado o controle de pelo menos quatro cidades que estavam sob as forças do governo. Ontem, as cidades de Brega, Ugayla e Ras Lanuf voltaram ao domínio das forças de oposição ao regime. No sábado, foi a vez da cidade de Ajdabiya, que havia sofrido intenso bombardeio por parte da coalizão internacional que atua na Líbia.

Com o domínio de Ras Lanuf e Brega, a oposição passou a controlar os principais terminais de petróleo no Leste da Líbia. Já Ajdabiya fica na intersecção de duas grandes rodovias, o que abre caminho para os oposicionistas avançarem a Oeste. As cidades estavam sob domínio das  forças leais a Kadafi antes dos ataques aéreos da coalizão, iniciados na semana passada.

O avanço da oposição nos últimos dois dias, com a reconquista de cidades estrategicamente importantes, ocorreu com a ajuda dos bombardeios das forças da coalização ocidental, que atuam com autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Os ataques debilitaram fortemente as forças de Kadafi, com a destruição de tanques e armamentos, fazendo com que os insurgentes aproveitassem a fraqueza do inimigo para avançar em suas posições.

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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